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Bolívia avança para novas eleições em meio a crise severa

Senadores observam um minuto de silêncio no começo da sessão, em La Paz afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 23. novembro 2019 - 19:38
(AFP)

O Senado boliviano autorizou neste sábado a realização de novas eleições gerais na Bolívia, sem a participação do ex-presidente Evo Morales, após um mês de uma violenta crise política, que deixou 32 mortos.

"Aprova-se por unanimidade o Projeto de Lei Regime Excepcional e Transitório para a realização de eleições gerais", anunciou o Senado no Twitter.

A iniciativa foi enviada nesta tarde para a aprovação na Câmara dos Deputados, antes de se tornar lei com a assinatura da presidente interina, Jeanine Áñez.

Simultaneamente, o governo provisório abrirá o diálogo com os movimentos de protesto, em busca de um acordo que ponha fim aos bloqueios e manifestações que deixaram 32 mortos nos últimos nove dias.

Se ambas as iniciativas se concretizarem - a convocação de novas eleições e a "pacificação" das ruas, a Bolívia começaria a ver uma luz, após atravessar seu período mais turbulento em pouco menos de duas décadas.

O primeiro passo foi dado pelo Senado, que anulou as eleições de outubro, em que Morales conquistou um novo mandato de cinco anos em um processo contestado pela oposição nas ruas por suspeita de fraude. A OEA também disse ter detectado irregularidades graves.

O projeto, que, a princípio, tem o apoio do Movimento ao Socialismo (MAS), liderado por Morales, prevê a realização de novas eleições gerais e a renovação do Superior Tribunal Eleitoral, cujos representantes foram removidos sob a acusação de terem manipulado a apuração dos votos.

Ao mesmo tempo, o projeto fecha as portas para a candidatura de Morales, que exerceu o poder por quase 14 anos, com uma popularidade que foi minguando apesar de suas conquistas sociais e econômicas, devido à sua obsessão por permanecer no cargo, mesmo com um referendo contrário realizado em 2016. Foi o Tribunal Eleitoral que lhe deu a oportunidade de concorrer novamente ao cargo em 20 de outubro.

Com maioria no Congresso, o MAS se mostra dividido em torno de Morales, que, até o momento, não endossou publicamente o processo para superar a crise e a sua exclusão das próximas eleições.

"Este projeto também estabelece uma disposição para resolver uma polêmica que nós, bolivianos, temos enfrentado", assinalou o senador Ortiz, referindo-se ao artigo que impede que "os cidadãos reeleitos de forma contínua nos dois períodos constitucionais anteriores" possam se candidatar na disputa seguinte.

Na outra frente de expectativa, o governo interino e opositores se sentarão para conversar a partir das 20h GMT, no palácio presidencial.

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