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Bolívia denuncia Evo Morales no TPI por bloqueios de estradas

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales durante coletiva de imprensa em Buenos Aires, 21 de fevereiro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. setembro 2020 - 18:39
(AFP)

O governo da Bolívia denunciou o ex-presidente Evo Morales diante do Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia por supostos crimes de "atentado a humanidade" pelo bloqueios de estradas do mês passado, segundo o anúncio feito nesta sexta-feira (4).

"A PGE (Procuradoria Geral do Estado) está no TPI de Haia, apresentando a denúncia por #Crimescontraahumanidade contra Evo Morales e outros", escreveu a presidente interina do país, a conservadora Jeanine Añez, no Twitter.

Segundo a chefe-executiva boliviana, a denúncia é "pelo cerco as cidades que causaram mais de 40 mortes por falta de oxigênio medicinal" em meio a pandemia do coronavírus, em referência aos 12 dias de bloqueios de estradas bolivianas em agosto feita por aliados de Morales em protestos contra um possível adiamento das eleições gerais.

O governo responsabiliza o ex-presidente esquerdista (2006-2019) de ter ordenado os bloqueios para obrigar o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) a fixar de maneira imutável a data das eleições, já adiadas três vezes pela pandemia.

O TSE fixou de forma definitiva para 18 de outubro as eleições, que pôs fim aos bloqueios nas estradas, que haviam causado uma escassez de alimentos e medicamentos, segundo o governo. A Bolívia, com 11 milhões de habitantes registra 118.781 casos de coronavírus e 5.288 mortes.

Nem Morales nem o seu Movimento pelo Socialismo (MAS) comentaram a denúncia, que se junta a outras já apresentadas pelo atual governo conservador contra o ex-presidente, entre elas a de supostos envolvimentos com menores.

O MAS afirma que essas denúncias buscam somente um impacto eleitoral.

Os partidários de Morales disseram que as sucessivas tentativas de adiar as eleições afetaram o candidato presidencial do MAS, Luiz Arce, que está empatado com o ex-presidente centrista Carlos Mesa. Em terceiro lugar está Añez, com 12%.

Por outro lado, a Procuradoria Geral disse que o titular, José Maria Cabrera, foi recebido nesta sexta-feira em Haia pelo procurador-geral do TPI, Gatou Bensouda, a quem foi entregue a denuncia contra Morales.

O ex-presidente esquerdista, que governou por quase 14 anos, renunciou em novembro de 2019, em meio a protestos da oposição que denunciaram uma fraude eleitoral a seu favor. Após isso, se exilou no México e depois, na Argentina.

O governo de Áñez também denunciou Morales na Procuradoria boliviana por supostos crimes de sedição (revolta) e terrorismo, em decorrência dos confrontos entre civis vividos no mês de outubro até novembro de 2019.

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