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O presidente boliviano, Evo Morales, em Bruxelas, em 8 de junho de 2017

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O governo boliviano constituiu, nesta segunda-feira, uma comissão da verdade para investigar as violações dos direitos humanos durante as ditaduras militares no país, e o Ministério da Defesa antecipou que vai abrir seus arquivos.

O presidente Evo Morales deu posse a cinco membros da comissão, liderada pelo veterano ex-dirigente minerador, Edgar Ramírez, e destacou que, "para além de repassar a história de como se vivia nas ditaduras, (deve servir) para as gerações futuras refletirem".

"Quando falamos de ditaduras e de golpes de Estados, falamos dos Estados Unidos e de todo um programa que obedece a uma questão geopolítica de domínio para um saqueamento dos recursos naturais", afirmou o governante, durante um ato oficial no Palácio Quemado.

Ramírez, atualmente diretor do arquivo da estatal Corporação Mineira da Bolívia (Comibol), destacou em seu discurso que a comissão da verdade servirá "para desentranhar o que verdadeiramente aconteceu na Bolívia, que foi lacerada por várias ditaduras".

A comissão, formada por decreto presidencial, vai investigar assassinatos, desaparecimentos, torturas, prisões arbitrárias e violência sexual ocorridos entre 1964 e 1982, quando a Bolívia foi governada por vários regimes militares de direita.

Morales apontou no Twitter que, segundo dados coletados, entre 1964 e 1982, há registros de "ao menos 1.392 políticos assassinados, 486 desaparecidos e 2.868 exilados e presos".

O ícone dos desaparecidos é o líder socialista Marcelo Quiroga Santa Cruz, morto em 1980 durante o golpe encabeçado pelo então general Luis García Meza, hoje preso, condenado a 30 anos.

O ministro de Defesa, Reymi Ferreira, adiantou que sua pasta e os militares abrirão os arquivos que estiverem em suas mãos.

Contudo, os militares negaram várias vezes que possuam documentos secretos relevantes sobre as ditaduras e a repressão política exercida.

O chefe das Forças Armadas, Luis Ariñez, disse que deve haver alguma informação desses anos, mas "se alguém acha que ali, nesses arquivos, está toda a história, não. É possível que todos esses arquivos tenham sido destruídos no momento".

A comissão da verdade também é integrada por Nila Heredia, ex-ministra da Saúde de Evo Morales; o ex-assessor jurídico de Governo, Eusebio Gironda; o ex-dirigente sindical Teodoro Barrientos e a ativista Isabel Viscarra.

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AFP