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Morales (c) canta o Hino Nacional durante um ato em memória do 50º aniversário da morte de Che, na cidade boliviana de La Higuera

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Com um governo de esquerda liderado pelo indígena aimara Evo Morales, a Bolívia reivindicou nesta segunda-feira (9) o legado de Ernesto "Che" Guevara, no 50º aniversário de sua morte.

Os cinco dias de atividades em celebração aos "50 anos do Che na Bolívia" terminam com o "relançamento da luta anti-imperialista" pelo presidente boliviano, um dos últimos representantes - junto com o venezuelano Nicolás Maduro - da esquerda que vestiu de vermelho o poder de boa parte da América Latina no começo do século.

"Continuamos convencidos de que enquanto o império do capitalismo viver, a luta seguirá", disse Morales, que tenta voltar a concorrer às eleições de 2019, apesar da proibição da Constituição e da rejeição do povo boliviano em referendo no ano passado.

Embora a lenda de Che permaneça viva entre setores da esquerda latino-americana, parece ter lugar apenas em um mundo marcado pelo desinteresse da juventude pela política.

"O Che era um revolucionário, e o revolucionário é um homem cheio de amor que quer construir uma sociedade diferente", lembrou seu companheiro Harry Villegas Tamayo, o "Pombo".

Além dele, participando dos atos em Vallegrande, a localidade boliviana onde Che foi capturado há 50 anos, também estiveram o ex-guerrilheiro Leonardo Tamayo Núñez (o "Urbano"), os quatro filhos de Che, um amigo de infância e o Comandante da Revolução, Ramiro Valdés, representando o governo de Cuba.

Depois da vitória da Revolução cubana, há quase 60 anos, Che quis levar sua revolução ao Cone Sul, da Bolívia, país que havia visitado em 1953.

- Escasso interesse -

Além de punhado de saudosistas barbados que usaram o tradicional uniforme verde-oliva e boina, pouco leva a pensar, em Vallegrande, na idolatria que a juventude mundial sentiu por Che há não muito tempo.

Agora, lembrou Morales, a revolução se faz "com a consciência e com o voto", e não pelas armas, como pretendeu Che com cerca de 50 guerrilheiros há cinco décadas no então terceiro país mais pobre da América Latina.

Embora os organizadores esperassem mais de dez mil pessoas para esses atos, em Vallegrande e La Higuera, o público se resumiu a algumas centenas.

A maioria dos presentes integrava delegações de associações de países da América Latina, assim como os ônibus fretados pelos organizadores cheios de indígenas, cujo principal interesse é ver o ídolo moderno: Evo Morales.

As poucas vagas hoteleiras da região estavam ocupadas, fazendo muitos pernoitarem em barracas montadas pelos organizadores.

O próprio presidente decidiu passar a noite em uma barraca de "camping". Em uma mesa e cadeiras de plástico colocadas ao lado, recebia as delegações que quisessem falar com ele.

Che foi executado em 9 de outubro de 1967 em La Higuera, a pedido de La Paz, um dia depois de ser detido na Quebrada del Yuyo pelo Exército treinado pelos Estados Unidos.

- Destino turístico -

À sombra de Che, Vallegrande, uma pequena localidade a 240 quilômetros de Santa Cruz (leste), pretende se tornar um destino turístico, graças ao mausoléu e ao museu dedicados ao guerrilheiro.

O mausoléu se ergue no lugar onde, por quase 20 anos, estiveram enterrados Che e mais seis companheiros. No museu, entre outros objetos, estão expostas fotos do líder revolucionário e cópias de seus famosos diários.

Agora, os restos mortais de Che repousam na cidade cubana de Santa Clara, que no domingo recebeu cerca de 70 mil pessoas.

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AFP