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Bolsonaro diz que Argentina 'escolheu mal' o peronista Fernández

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, discursa no Seminário de Negócios Brasil-China em Pequim afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. outubro 2019 - 14:44
(AFP)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que a Argentina "escolheu mal" nas eleições de domingo e descartou parabenizar o presidente eleito, o peronista de centro-esquerda Alberto Fernández.

"Lamento, eu não tenho bola de cristal, mas eu acho que a Argentina escolheu mal", disse ao deixar os Emiratos Árabes Unidos rumo ao Catar, em declarações reproduzidas pela imprensa.

"Não pretendo parabenizá-lo. Agora, não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver qual é a posição real dele na política, porque ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo e vamos ver qual linha que ele vai adotar", acrescentou Bolsonaro, que conclui na quinta-feira uma viagem de duas semanas pela Ásia e Oriente Médio.

Fernández, um advogado de 60 anos que fez chapa com a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), venceu no primeiro turno com 48% dos votos o atual chefe de Estado, o neoliberal Mauricio Macri (40,45%). A passagem de cargo será em 10 de dezembro.

Nesta segunda, Bolsonaro criticou Fernández que ao comemorar sua vitória pediu a libertação do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena de prisão por corrupção.

"Pretendo dialogar sim, não vamos fechar as portas. Agora, estamos preocupados e receosos, tendo em vista até o gesto que ele fez de Lula Livre (...) "um afronto à democracia brasileira, ao sistema judiciário brasileiro", afirmou ao chegar ao Catar.

Lula, que se considera injustamente condenado e espera o julgamento de um recurso que pode resultar na sua libertação, tuitou o pedido de Fernández.

Sobre o Mercosul, Bolsonaro disse que "não digo que sairemos, mas poderemos juntar com o Paraguai. Não sei o que vai o que vai acontecer com o Uruguai, vamos ver o que vai ser nas eleições do Uruguai, e decidimos se a Argentina fere alguma cláusula do acordo ou não. Se ferir, nós podemos afastar a Argentina".

"A gente espera que nada disso seja necessário. Espero que a Argentina não queira, na questão comercial mudar o seu rumo", apontou Bolsonaro.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, que por sua vez é o terceiro do Brasil (atrás da China e dos Estados Unidos).

Após a vitória de Fernández nas primárias de agosto, Bolsonaro já havia considerado que o retorno do peronismo ao poder poderia causar uma onda de refugiados semelhante ao que o Brasil enfrenta na fronteira com a Venezuela de Nicolás Maduro.

Fernández respondeu na época, chamando Bolsonaro de "misógino", "racista" e "violento".

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