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Bolsonaro indica para chanceler diplomata de carreira pró-Trump

O presidente eleito Jair Bolsonaro ao lado do recém-indicado ministro das Relações Exteriores de seu governo, Ernesto Araújo, em Brasília, em 14 de novembro de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. novembro 2018 - 22:40
(AFP)

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, indicou como seu ministro das Relações Exteriores o embaixador Ernesto Araújo, alinhado com seu perfil de extrema direita, a quem confiará a tarefa de dar uma virada na política externa do país.

"A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores", tuitou Bolsonaro.

Junto ao presidente eleito, o futuro chanceler declarou a jornalistas em Brasília que sua missão será "garantir que esse momento histórico, extraordinário, que o Brasil está vivendo com a eleição do presidente Bolsonaro se traduza" na política externa.

"Uma política efetiva, uma política em função do interesse nacional, uma política de um Brasil atuante, de um Brasil feliz, de um Brasil próspero", acrescentou.

Bolsonaro afirmou que Araújo tem todas as credenciais para o cargo e que algumas instituições perderam seu brilho nos últimos anos. "E queremos o MRE (Ministério das Relações Exteriores) brilhando", declarou.

Araújo, de 51 anos, atualmente é o chefe do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Ministério das Relações Exteriores.

Com 29 anos de carreira diplomática, cumpriu tarefas em Bruxelas, Berlim, Ottawa e Washington, mas nunca esteve à frente de nenhuma embaixada.

"Ernesto Araújo está mais do que talhado para bem servir ao Brasil", afirmou o atual chanceler Aloysio Nunes em um comunicado.

Desempenhou seu cargo à frente da área dos Estados Unidos com competência, dedicação e espírito público, continuou Nunes, que disse ter recebido sua indicação "com muita satisfação".

- Admirador de Trump e escritos contra a esquerda -

No segundo semestre de 2017, um artigo acadêmico de Araújo na revista "Cadernos de Política Exterior", do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, chamou a atenção.

Em "Trump e Ocidente", Araújo afirma que o presidente americano tem a missão de "salvar" a civilização ocidental, sua fé cristã e suas tradições nacionais.

E se questiona se o Brasil seguirá a mesma vertente.

Longe do tom formal que mostrou diante dos jornalistas nesta quarta-feira, Araújo havia expressado o seu apoio a Bolsonaro já durante a campanha eleitoral, por meio de várias publicações em um blog on-line chamado "Metapolítica 17", segundo relatos da imprensa.

Identificando-se com seu nome, em alguns de seus textos reproduzidos pela imprensa desqualifica o Partido dos Trabalhadores. Também adverte que um eventual governo de Fernando Haddad - derrotado por Bolsonaro - seria "um império do crime", apoiado pelas "oligarquias nacionais e num novo eixo socialista latino-americano, sob os auspícios da China maoísta que dominará o mundo".

Ao se apresentar como autor do blog escreveu: "Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante".

- Política externa, virada radical? -

A indicação de Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores era aguardada com grande expectativa, depois que o presidente eleito se viu envolvido em polêmicas por seu anúncios de que transferiria a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo o caminhos dos Estados Unidos.

Após a reação negativa de países árabes - importantes compradores da carne brasileira -, Bolsonaro afirmou na semana passada que a questão ainda não está definida e, ao ser questionado por um jornalista nesta quarta, respondeu: "Quando eu assumir em janeiro, você vai ter a resposta".

Em sua campanha, fez da Venezuela um dos alvos favoritos de suas críticas. E nesta quarta-feira criticou "a ditadura" de Cuba, depois que este país anunciou o fim da cooperação médica com o Brasil, em resposta às condições que o presidente eleito queria impor à ilha.

Em linhas gerais, Bolsonaro prometeu "incrementar a questão de negócios no mundo todo sem viés ideológico", embora ainda não esteja claro como manejará a estratégica relação com a China, ou as decisões que tomará sobre o Mercosul, depois de dar sinais de que não priorizará o bloco regional.

Bolsonaro, que esta semana se reuniu com embaixadores de França, Reino Unido, Chile e Emirados Árabes Unidos, também prometeu ao governo ultranacionalista italiano que extraditará o ex-militante de esquerda Césare Battisti, condenado à prisão perpétua no país europeu.

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