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Bolsonaro volta a questionar situação de médicos cubanos no Brasil

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, em 14 de novembro de 2018 em ato em Brasília afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. novembro 2018 - 18:24
(AFP)

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, voltou a questionar nesta sexta-feira (16) a competência dos médicos cubanos que trabalham no Brasil e comparou suas condições de trabalho à "escravidão", dois dias depois de Havana decidir retirá-los do país.

Lançado em 2013 pela presidente Dilma Rousseff, o programa 'Mais médicos' permitiu dar assistência à população das regiões mais pobres e rurais do Brasil, principalmente graças à chegada de profissionais cubanos, que atualmente ocupam metade dos postos do programa.

No contrato vigente, a ilha paga um salário aos seus médicos em missão de cerca de 30% do valor desembolsado pelo Brasil, conserva seus salários e postos de trabalho em Cuba e dedica o restante do dinheiro ao orçamento estatal.

"É a situação de praticamente escravidão a qual estão sendo submetidos os médicos e as médicas cubanas do Brasil. Imaginou confiscar da senhora 70% do seu salario?", disse Bolsonaro a uma jornalista ao sair de uma reunião com o comandante da Marinha no Rio de Janeiro.

Cuba anunciou na quarta-feira o encerramento de sua participação no programa, devido às "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" aos médicos, feitas por Bolsonaro, que condicionou a permanência destes profissionais à aprovação em exames para revalidar suas competências, recebam salários integrais e possam trazer suas famílias ao Brasil.

"Será que devemos destinar aos mais pobres profissionais entre aspas sem qualquer garantia de que eles sejam realmente razoáveis profissionais, no mínimo? Isso é injusto, é desumano", avaliou o ultradireitista, que já tinha feito comentários similares nos últimos dias.

Mas a Frente Nacional de Prefeitos do Brasil (FNP) fez soar o alarme, ao lembrar em um comunicado que cerca de 80% dos municípios do país "dependem exclusivamente do programa para seus cuidados médicos e que 90% da população indígena é tratada por profissionais cubanos".

Mais de 113 milhões de pacientes no Brasil foram tratados por 20.000 médicos cubanos desde agosto de 2013, segundo dados de Havana.

Atualmente, restam 8.000 destes médicos no país, 6.000 dos quais deveriam voltar à ilha antes do Natal, informou Cuba na quinta-feira.

O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira que vai abrir o edital de um concurso para suprir as vagas com médicos brasileiros. O processo de seleção terminará este mês e os profissionais vão se apresentar aos municípios imediatamente depois, assegurou o governo.

Atualmente, médicos e paramédicos cubanos trabalham em 67 países, uma prática iniciada nos primeiros anos da revolução de Fidel Castro em 1959 e que foi qualificada como "diplomacia de jalecos brancos".

Estes serviços representam a principal fonte de renda da ilha, com 11 bilhões de dólares ao ano, acima do turismo e das remessas do exterior, embora em muitos casos Cuba ofereça cooperação gratuita, como acontece no Haiti.

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