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Obra da empreiteira Odebrecht em Itaguaí, em 7 de abril de 2017

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O conglomerado chinês HNA comprará a participação da Odebrecht no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, informou nesta terça-feira Tarcísio de Freitas, secretário de Coordenação de Projetos da Secretaria da Presidência.

A mudança na administração do segundo terminal aéreo mais usado no Brasil deve ser anunciado nos próximos 60 dias e não modificará o valor total da concessão a 30 anos outorgada em 2013 por 19 bilhões de reais.

"O acordo Odebrecht-HNA está fechado. Só falta a questão burocrática", disse Freitas à AFP.

A HNA opera companhias aéreas, terminais e hotéis, e substituirá o grupo Odebrecht, asfixiado por indenizações de aproximadamente 2,6 bilhões de dólares e desprestigiado pelo escândalo da Operação Lava-Jato.

"Havia uma expectativa de fazer uma mudança de perfil dos concessionários, que só poderia acontecer se mudasse o concessionário Odebrecht e se houvesse um aporte de capital. E tudo isso aconteceu", explicou Freitas.

"Sai uma empresa envolvida na Lava-Jato, que não tem rating, que não tem crédito. Se renovam as garantias, que hoje em dia não são boas porque são as da Odebrecht, se mantém a operação do serviço e se passa a ter a HNA, que é uma empresa robusta", acrescentou.

O consórcio RioGaleão é dono da parte privada da operação do aeroporto Tom Jobim, 51% do total. Os 49% restantes são do Estado, por meio da empresa pública Infraero.

A HNA será agora o novo sócio da Changi Airports International, companhia de Cingapura que já integrava o consórcio RioGaleão com a Odebrecht (60% da brasileira e 40% da oriental). No novo formato, a participação é de 50% cada uma.

As duas companhias já pagaram 1 bilhão de reais correspondentes a 2016 e anteciparão outros 3,5 bilhões nos próximos dias, um montante próximo a 30% do valor da concessão total, segundo Freitas.

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