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(E-D) Embaixadora da Colômbia no Peru, Maria Elvira Pombo, o ministro da Defesa do Peru, Jorge Nieto, o embaixador brasileiro no Peru, Marcos Raposo, e o comandante-geral da Força Aérea Peruana, Javier Ramirez, em Iquitos, em 20 de junho de 2017

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Uma pequena aeronave, provavelmente com drogas, rasga o céu da Amazônia. Na fronteira tripartite Peru-Colômbia-Brasil, os radares alertam. Aviões militares decolam para obrigá-la a pousar. Trata-se, na verdade, de um exercício conjunto para fechar o cerco ao tráfico de drogas.

"O objetivo é ter todos os nossos protocolos (prontos) para que, em circunstâncias reais de interdição - sobretudo, de aeronaves dedicadas principalmente ao narcotráfico -, nossas três Forças Aéreas possam desenvolver seu trabalho com muita eficácia", disse à imprensa o ministro peruano da Defesa, Jorge Nieto, na cidade de Iquitos, onde as operações peruanas se concentraram.

Segundo as autoridades, essa tríplice fronteira se tornou uma atraente rota aérea do narcotráfico, depois que o Peru afastou os voos que ocorriam mais ao sul, na divisa com a Bolívia, após instalar radares e autorizar seus aparelhos militares até mesmo a derrubar os intrusos como último recurso.

"Estamos vendo que (o ingresso de aeronaves do narcotráfico) diminuiu pelo lado da Bolívia para o Peru, e o fluxo de aeronaves ilícitas se transferiu para o norte", comentou o comandante-geral da Força Aérea do Peru (FAP), Javier Ramírez.

Segundo a ONU, Colômbia e Peru são os maiores produtores mundiais de folha de coca, insumo básico para a produção de cocaína. As autoridades peruanas reconhecem uma produção potencial de até 400 toneladas anuais de cocaína. O Brasil é identificado como o maior consumidor dessa droga no continente e segundo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

No exercício denominado "Amazonas I", que começou na última segunda-feira (19) e termina na quinta (22), são usados radares e aeronaves de vigilância e controle dentro da região amazônica, para deter, identificar, interceptar e forçar o pouso de aeronaves suspeitas de atividades ilegais, abarcando as cidades fronteiriças de Iquitos (Peru), Tabatinga (Brasil) e Leticia (Colômbia).

No treinamento, a nave suspeita chegou do Brasil e foi interceptada por aviões da FAP.

- Da Colômbia para o Peru

"Peru, Colômbia e Brasil se juntaram para liberar os céus e se dedicar à luta frontal contra o tráfico ilícito de drogas (...). Quando um alvo dedicado ao tráfico ilícito de drogas for detectado, não vai poder cruzar as fronteiras livremente. Vai encontrar ordem e autoridade no país que ingressar. Vai ser detectado e obrigado a aterrissar", disse o chefe de operações aéreas, coronel da FAP Jaime Chávez.

O Peru planeja reduzir seus cultivos de coca à metade até 2021, o que implica adentrar seu maior vale cocaleiro, onde guerrilheiros ainda atuam. De acordo com o governo, o negócio das drogas movimenta cerca de US$ 2 bilhões por ano no país.

Como informou, em maio, a presidente executiva da peruana Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida Sem Drogas, Carmen Masías, depois do acordo de paz em Bogotá, ex-integrantes da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão entrando no território peruano para traficar drogas.

"Na Colômbia, se apreende muito mais drogas do que no Peru, em uma relação de 200 contra 20 toneladas. É mais fácil vir para o Peru e tirar droga", detalhou.

Em 2015, o Congresso aprovou uma lei que permite à Força Aérea interceptar e derrubar pequenos aviões do tráfico. Antes, essa tarefa era feita com os Estados Unidos, mas, em 2001, foi suspensa após a derrubada, por erro, de um aparelho com missionários americanos. Duas pessoas morreram no incidente.

A maioria desses aviões vinha da Bolívia, cuja estratégia "é permissiva para o controle de cultivos de coca e é ponte aérea para a saída da cocaína peruana", acrescentou Masías.

Este ano, a Bolívia elevou o limite de cultivo legal de coca, de 12 mil hectares para 22 mil hectares. Depois da lei de proibição, não houve registro de derrubada de aeronaves no Peru, embora as rotas tenham se diversificado.

AFP