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Brasil bate recorde com mais de 3.000 mortes por covid em um dia

Vista aérea de un sepelio en el cementerio de Vila Formosa durante la pandemia de coronavirus, en Sao Paulo, Brasil, el 23 de marzo de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 23. março 2021 - 22:40
(AFP)

A pandemia de coronavírus no Brasil ceifou mais de 3.000 vidas em 24 horas pela primeira vez nesta terça-feira (23), em um momento em que a situação no país causa alarme mundial e pressiona o presidente Jair Bolsonaro, que prometeu um rápido retorno à "normalidade".

O Brasil, com 212 milhões de habitantes, registrou 3.251 mortes em um dia, elevando o total para 298.676 óbitos desde a primeira morte há um ano, balanço superado apenas pelos Estados Unidos. Os casos totalizam 12,1 milhões, com 82.493 infecções nas últimas 24 horas, revelou o ministério.

Nos últimos sete dias a média diária foi de 2.364 vítimas de covid-19, número em constante ascensão desde 22 de fevereiro e que representa o triplo do início do ano (703), atingindo níveis nunca vistos na primeira onda da pandemia em 2020.

O recrudescimento colocou o sistema de saúde sob pressão, com as unidades de terapia intensiva (UTIs) com taxa de ocupação superior a 80% na maioria dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal e com uma "preocupação" crescente com o risco de falta oxigênio em pelo menos seis estados, segundo relatório da Procuradoria-Geral da República.

O descontrole da pandemia no Brasil é motivo de preocupação em toda a América do Sul.

A transmissão do vírus "continua aumentando perigosamente em todo o Brasil" e essa "péssima situação também atinge os países vizinhos", afirmou nesta terça-feira, de Washington, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne.

Etienne citou como exemplo o aumento de casos em regiões da Venezuela, Bolívia e Peru na fronteira com o Brasil, bem como no Uruguai, Paraguai e Chile.

- "Em breve, vida normal" -

Especialistas atribuem parte dessa tragédia à variante do coronavírus registrada na Amazônia, conhecida como P1, que pode ser ao menos duas vezes mais contagiosa.

E à baixa adesão às normas de distanciamento social, com a cumplicidade de Bolsonaro, que promove constantemente aglomerações com seus apoiadores sem o uso de máscaras e questiona as medidas de quarentena por seu impacto econômico.

Na noite desta terça-feira, o presidente prometeu aos brasileiros que voltarão à normalidade em breve graças à vacinação, apesar desta avançar lentamente e com problemas logísticos.

"Quero tranquilizar o povo brasileiro e afirmar que as vacinas estão garantidas. Ao final do ano, teremos alcançado mais de 500 milhões de doses para vacinar toda a população. Muito em breve, retomaremos nossa vida normal", declarou.

Seu discurso teve como som de fundo panelaços de protesto nas principais cidades do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, reportaram jornalistas da AFP.

Prefeitos e governadores impuseram medidas de distanciamento social, limitando o comércio e as atividades não essenciais, mas sem garantias de adesão, nem de coordenação entre eles e muito menos com o governo federal, que sempre se opôs a este tipo de limitações.

Por enquanto, 11,1 milhões de brasileiros - 5,2% da população - receberam ao menos uma dose da vacina e 3,5 milhões tomaram a segunda, segundo dados oficiais recolhidos pela AFP.

O presidente, que aspira à reeleição em 2022, expressou sua solidariedade "com todos aqueles que tiveram perdas em suas famílias".

Horas antes do discurso, o presidente empossou, em uma cerimônia discreta no Palácio do Planalto, seu quarto ministro da Saúde desde o início da pandemia, Marcelo Queiroga, mais de uma semana depois de ter sido nomeado por Bolsonaro para substituir o questionado general Eduardo Pazuello.

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