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O presidente brasileiro Michel Temer (D) e o presidente argentino Mauricio Macri cumprimentam-se após reunião sobre acordos bilaterais no Palácio do Planalto em Brasília, no dia 7 de fevereiro de 2017

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Os presidentes do Brasil e da Argentina, Michel Temer e Mauricio Macri, recomendaram nesta terça-feira, em Brasília, a aceleração das negociações comerciais do Mercosul com a União Europeia e uma aproximação com a Aliança do Pacífico, para enfrentar o avanço do protecionismo.

Os chefes de Estado das duas maiores economias sul-americanas se reuniram em Brasília, unidos pelos mesmos problemas: falta de crescimento econômico e desemprego. E focaram na relação bilateral em eventuais novas negociações.

"Frente a tantas dúvidas que o mundo nos apresenta, o que tem que ficar mais claro é que temos de ser aliados", afirmou Macri no Palácio do Planalto, em um momento em que as políticas protecionistas anunciadas pelo novo presidente americano, Donald Trump, semeiam inquietação entre os aliados tradicionais de Washington e trazem incertezas globais.

Macri sustentou que o Mercosul - integrado também por Uruguai, Paraguai e a suspensa Venezuela - deve intensificar e diversificar suas relações, "começando por esta oportunidade que se abre com a União Europeia, que agora tem um maior interesse em avançar com o acordo".

A União Europeia e o Mercosul mostraram ultimamente disposição de avançar nas negociações iniciadas em 1999, mas que sofreram anos de interrupção ou estancamento. Os sul-americanos esperam uma maior abertura a seus produtos agrícolas por parte dos europeus, que reclamam maior acesso para seus bens industriais e de serviços.

A chefe do governo alemão, Angela Merkel, apoiou no sábado passado a reativação do diálogo entre os dois blocos, dizendo que devem desembocar em um "acordo justo, no qual os interesses da Europa sejam levados tão em conta quanto os da América Latina".

Olhando para o Pacífico

Temer destacou, após o encontro com Macri, a vontade comum de uma aproximação com a Aliança do Pacífico, grupo formado por Colômbia, Chile, México e Peru. Esses países vinham apostando na liberalização do comércio mundial e poderiam ser afetados pela mudança em Washington, sobretudo no caso do México, que vende 80% de seus produtos para a primeira economia do mundo.

"Levantamos o tema de uma integração cada vez maior da América Latina, em particular da América do Sul, (e) México; inclusive para ter uma relação mais próxima do Mercosul com a Aliança do Pacífico", apontou Temer.

Macri enfatizou seu interesse em se aproximar do México e contou que no dia anterior expressou ao presidente Enrique Peña Nieto sua predisposição para cooperar com a segunda economia da América Latina.

"Esta mudança de cenário faz com o que o México volte a olhar para o sul com maior decisão", apontou, antes de "desejar sorte" para chegar a "um acordo razoável com os Estados Unidos nessa nova etapa" da renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) que ambos os países formam com o Canadá.

Analistas acreditam que o novo governo americano tem um potencial para mais e melhores negócios do Mercosul, tanto dentro da América Latina como com o resto do mundo.

Aliados com os problemas de sempre

Vizinhos e aliados, Brasil e Argentina lutam para resgatar suas economias. E a opção de Temer e Macri pelo modelo econômico liberal não impede a persistência de atritos e reclamações.

Atualmente, a Argentina tem um grande déficit na balança bilateral com o Brasil.

Em 2016, a troca comercial totalizou 22,5 bilhões de dólares e deixou um déficit para a Argentina de 4,333 bilhões, segundo dados do Ministério de Indústria e Comércio Exterior do Brasil.

O volume do comércio no ano passado foi o mais baixo em 10 anos, de acordo com dados fornecidos pela consultora argentina ABECEB, o que agravou a necessidade de explorar novos convênios comerciais.

A Argentina terá a presidência pró-tempore do Mercosul até o fim do primeiro semestre, quando a transferir para o Brasil.

"A rivalidade deixamos para o futebol. No resto, trabalhamos em conjunto", encerrou Macri, que antes de entrar para a política foi presidente do clube Boca Juniors.

Esta foi a primeira visita oficial de um chefe de Estado a Brasília desde que Michel Temer assumiu o poder em 2016.

AFP