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Brasil inicia na próxima terça testes da vacina chinesa contra coronavírus

(Arquivo) O governador de São Paulo, João Doria afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. julho 2020 - 20:07
(AFP)

Cerca de 900 médicos e paramédicos voluntários em São Paulo serão os primeiros no Brasil a receber a vacina chinesa Coronavac contra o coronavírus a partir da terça-feira, como parte dos testes da fase 3, segundo informaram as autoridades locais nesta segunda-feira (20).

Os pesquisadores aplicarão a vacina em um total de 9.000 voluntários de seis estados do país. Isso faz parte do acordo entre o laboratório chinês Sinovac Biotech e o Instituto Butantan, que busca realizar os ensaios de fase 3, o último antes da homologação.

"Os testes da Coronavac, uma das vacinas em fase mais avançada do planeta, começam no Hospital de Clínicas de São Paulo amanhã", anunciou o governador de São Paulo, João Doria, em entrevista coletiva.

"Podemos ter aqui no Brasil a primeira vacina a ser usada em massa, e essa perspectiva é muito muito favorável. Nós estamos em meio de uma epidemia, temos muitos casos e trata-se do cenário ideal para testarmos essa vacina", afirmou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, junto a Doria em coletiva.

O Brasil é o segundo país mais afetado pelo coronavírus, atrás somente dos Estados Unidos. Até o último domingo, o país registrou quase 80.000 mortes e 2.098.389 milhões de casos.

Os pesquisadores examinam os "voluntários em consultas agendadas a cada duas semanas" e os resultados são esperados em "até 90 dias", explicou Doria.

Cerca de 20.000 doses da Coronavac, que chegaram a São Paulo na manhã desta segunda, serão distribuídas para doze centros de pesquisa nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, além da capital federal, Brasília.

Essas regiões estão entre as mais afetadas pela pandemia.

Se resultados positivos forem alcançados, Doria indicou que o Instituto Butantan produzirá, no início de 2021, 120 milhões de doses da vacina. Em seguida, elas serão distribuídas pelo sistema público de saúde (SUS).

Desde o final de junho, o Brasil também está testando a vacina ChAdOx1 nCoV-19 contra o novo coronavírus, desenvolvida pela Universidade de Oxford em conjunto com o grupo farmacêutico britânico AstraZeneca.

A vacina britânica, juntamente com outra do grupo chinês Cansino Biologics, provou ser segura para os pacientes, e produziu uma importante resposta imune, segundo resultados de ensaios clínicos publicados nesta segunda na revista médica "The Lancet".

O Brasil foi selecionado para testes de vacinas por causa do forte impacto da pandemia, que ainda se espalha por vários estados.

Especialistas argumentam que a falta de testes em um país com 212 milhões de pessoas poderiam tornar os números reais da doença muito maiores.

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