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Policial militar durante operação na Mangueira em 17 de julho de 2017

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Uma força de 10.000 homens -incluindo 8.500 militares- começou a se espalhar pelas ruas do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, em meio a uma onda de insegurança e confrontos.

Caminhões com tropas circulavam pela cidade, depois que o presidente Michel Temer assinou o decreto que autoriza o emprego das Forças Armadas no estado.

Dois veículos deste tipo foram vistos no Aeroporto Santos Dumont e outros dois na Praia de Botafogo, indicaram repórteres da AFP.

No total, 8.500 militares, 620 da Força Nacional, 380 da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e 740 locais integram o reforço.

A sua presença será mantida até o final de 2018, quando acaba o mandato de Temer.

"O objetivo da missão é defender a integridade da população, preservar a ordem pública e garantir o funcionamento das instituições", afirmou Temer em um vídeo divulgado nas redes sociais.

- Segurança e paz -

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que não está previsto um patrulhamento militar ostensivo e que a operação será estruturada em quatro eixos: "inteligência", "integração" entre os corpos, operações "surpresa" e "participação ativa" da sociedade.

"O Rio precisa de um pacto. O Rio quer segurança e paz", afirmou.

"Vamos chegar ao crime organizado, às suas cadeias de comando", prometeu.

Segundo a declaração de Jungamann, está sendo repetida a fórmula das Olimpíadas de 2016, que teve sucesso. Durante os Jogos Olímpicos foram enviados 85.000 militares e policiais, o dobro de Londres-2012.

No fim de junho, quase 100 policiais militares foram detidos e acusados de envolvimento com o tráfico de drogas. Ao longo de 2017, 91 agentes morreram no Rio.

Uma em cada quatro escolas teve que fechar por alguns dias ou se viu obrigada a interromper as aulas por conta de tiroteios e outros confrontos.

Em média, três pessoas foram vítimas de balas perdidas por dia durante os seis primeiros meses do ano.

"Nós perdemos completamente o controle da segurança pública no Rio, ninguém consegue mais se locomover com tranquilidade", escreveu em sua página do Facebook, em meados de julho, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Em fevereiro, 9.000 policiais reforçaram a segurança da cidade diante de uma possível greve da polícia.

- Os militares "não resolvem nada" -

Para Anderson França, cronista sobre a violência no Rio, a "chegada de novos militares não resolve o problema da cidade, isso é continuar enxugando gelo, tratando a consequência e não a origem do problema".

"A gente está querendo trazer militares para uma cidade totalmente desgovernada, mas não está querendo discutir as razões pelas quais está desgovernada", destacou o autor de "Rio em shamas" em entrevista à AFP por telefone.

"Nós precisamos pensar novas alternativas de combate ou de regulação do mercado de entorpecentes, porque o que existe hoje não funciona", insistiu França, que nesta semana teve que cancelar a sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) depois de ser ameaçado anonimamente.

O escritor indicou que o cancelamento foi decidido por organismos que acreditam na ameaça, mas que "o grande tema a ser debatido é o racismo, porque a ameaça veio por causa do racismo".

AFP