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Brasil pede rechaço às eleições convocadas pela "ditadura" venezuelana

O presidente venezuelano Nicolás Maduro discursa durante pronunciamento no Palácio de Miraflores, em Caracas afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. setembro 2020 - 18:23
(AFP)

Brasil pediu nesta quinta-feira à comunidade internacional para não apoiar as eleições legislativas convocadas pelo "regime ditatorial" de Nicolás Maduro, acusado por uma missão de investigação da ONU de ter cometido "crimes contra a humanidade".

O pedido coincide com o início da viagem do chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, por vários países da região, que incluirá nesta sexta-feira o estado brasileiro de Roraima, fronteiriço à Venezuela.

"Em face do teor do relatório, o Brasil considera que um regime como o de Maduro não tem quaisquer condições ou legitimidade para convocar ou conduzir um processo eleitoral limpo e justo, e, portanto, que as eleições parlamentares convocadas pela ditadura para o próximo mês de dezembro não devem ser apoiadas pela comunidade internacional", expressou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.

A Venezuela realizará eleições em 6 de dezembro para novos parlamentares do Congresso, atualmente dominado pela oposição.

Enquanto Maduro é a favor das eleições, a oposição afirma que não há condições igualitárias para ir às urnas.

"O Brasil espera que o relatório mobilize toda a comunidade internacional a trabalhar pela extinção do regime ditatorial de Maduro e pela libertação da Venezuela", acrescentou o Itamaraty.

Uma missão da ONU anunciou na quarta-feira que "encontrou motivos razoáveis para acreditar que as autoridades venezuelanas e as forças de segurança planejaram e executaram graves violações dos direitos humanos desde 2014, algumas das quais - incluindo execuções arbitrárias e o uso sistemático de tortura - constituem crimes contra a humanidade".

"Longe de serem atos isolados, esses crimes foram coordenados e cometidos de acordo com as políticas do Estado, com o conhecimento ou apoio direto dos comandantes e altos funcionários do governo", informou a presidente da missão, Marta Valiñas.

Desde 2013 no poder após a morte de Hugo Chávez, o governo Maduro rejeitou essas alegações e disse se tratar de um "relatório cheio de falsidades, preparado à distância, sem qualquer rigor metodológico, por uma missão fantasma dirigida contra a Venezuela e controlada por governos subordinados a Washington".

A visita de Pompeo à região, que ocorre desta quinta-feira até domingo, começa no Suriname e segue pela Guiana, Brasil e Colômbia, três países que fazem fronteira com a Venezuela.

A escala em território brasileiro acontecerá na sexta-feira em Boa Vista, capital de Roraima, que foi a porta de entrada de dezenas de milhares de venezuelanos que fugiram da grave crise política, econômica e social que atinge seu país.

O Brasil, assim como a Colômbia e os Estados Unidos, fazem parte dos cinquenta países que consideram como ilegítimo o segundo mandato de Maduro, desde janeiro de 2019, e reconhecem o opositor Juan Guaidó como presidente interino.

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