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"A sensação generalizada é que Temer está no intensive care, na UTI", resumiu o analista político Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

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Quando o 'Temer Gate' veio à tona, há duas semanas, muitos deram o presidente como acabado, mas os dias passam e Michel Temer sobrevive. O impopular chefe de Estado, seriamente abalado por um escândalo de corrupção, está conseguindo ganhar tempo, mas poderá evitar seu fim?

"A sensação generalizada é que Temer está no intensive care, na UTI", resumiu o analista político Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Investigado por corrupção, obstrução à Justiça e organização criminosa, o presidente está na beira do abismo desde 17 de maio, quando veio à tona a existência de um áudio em que parece avalizar o pagamento de propina por Joesley Batista, dono da JBS, ao deputado cassado Eduardo Cunha em troca de seu silêncio.

Sua base aliada cambaleia, há cerca de 20 pedidos de impeachment contra ele e nas ruas milhares pedem "Fora Temer!" e "Diretas já".

Mas, ao se negar taxativamente a deixar o cargo alegando inocência, Temer deu o primeiro passo de uma estratégia que, até agora, demonstrou-se eficaz: adiar o desenrolar da história.

Ele conseguiu ao evitar que seu principal partido aliado, o PSDB, o abandonasse. Ou dias depois, quando esquivou, com um recurso de última hora, um pronunciamento sobre seu caso por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

Houve vários dias D que Temer conseguiu adiar nesta crise, desatada apenas um ano depois da destituição da presidente Dilma Rousseff.

O próximo dia D previsto, 6 de junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem previsto iniciar uma sessão de três dias para decidir se cassa o resultado das eleições de 2014, na qual foi reeleita a chapa Dilma-Temer, por abuso de poder e financiamento ilegal da campanha.

Esta opção, que para muitos seria a saída mais honrosa para o presidente, também tem grandes chances de ser adiada.

Além disso, o entorno presidencial já sugeriu que o julgamento poderia se estender se algum dos juízes pede para deter o debate para revisar o expediente.

"Quando se está com a corda no pescoço, é fundamental você ter tempo, porque quando mais se ganha tempo, você pode encontrar chances de escapar da morte. Mas se Temer não consegue transformar esse tempo em reformas, essas chances de sobreviver se cortam muito", disse Pereira à AFP.

Sem sucessor natural

Temer prometeu tirar o Brasil da pior recessão de sua história através de duas medidas de austeridade. O anúncio desta quinta-feira de que o país voltou a crescer no primeiro trimestre do ano, depois de dois anos de severa contração, sem dúvida reforçará seus argumentos.

Mas seu destino pode depender, sobretudo, da aprovação das reformas da Previdência e trabalhista, exigidas pelo mercado, mas travadas por legisladores temerosos de perder seus assentos nas eleições-gerais do ano que vem.

Em maio, o governo diminuiu o contingenciamento orçamentário de R$ 3,1 bilhões, principalmente nas áreas da saúde e obras de infraestrutura. Uma forma, segundo analistas, de diminuir as resistências de aliados.

Outro fator dá sobrevida a Temer: a falta de um consenso claro sobre sua eventual sucessão.

"Não há um substituto natural de Temer diferentemente do que aconteceu com Dilma Rousseff, que tinha o respeito claro de Temer, seu vice-presidente", avaliou Sylvio Costa, diretor do portal político Congresso em Foco.

Se o presidente deixar o cargo, a Constituição diz que o Congresso deve eleger a pessoa que terminar o mandato e passar a faixa presidencial a quem for eleito em 2018.

A portas fechadas, os legisladores avaliam vários nomes, sem chegar a um acordo.

Na imprensa, aparecem perfis díspares como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (investigado assim como outras dezenas de legisladores pela 'Lava Jato'), o novo presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, ou o ex-ministro da Justiça, Nelson Jobim.

"Necessitam alguém que seja limpo, que não esteja envolvido em nenhum caso de corrupção, e comprometido com essa mesma agenda de reformas", avaliou Costa, ao advertir que Temer "a qualquer momento pode tombar" porque sua estratégia de ganhar tempo não é nenhuma garantia ante a dinâmica "tão imprevisível" da conjuntura brasileira.

Dois dias depois da revelação do áudio de Temer, um dos procuradores da 'Lava Jato' foi um pouco mais gráfico, ao se referir ao clima atual.

Em um texto intitulado "O cadáver insepulto", Carlos Fernando dos Santos Lima dizia em sua conta no Facebook que as intrigas políticas no Brasil são equivocadamente comparadas às da série 'House of Cards'.

"O que vivemos hoje está mais para The Walking Dead, onde hordas de mortos-vivos, apodrecidos de alma e corpo, passam entre nós, contaminando tudo que poderia ser bom com o vírus da imoralidade e da corrupção", comparou.

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AFP