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Os trabalhistas ganharam um assento com uma candidata pró-europeia e por apenas 187 votos

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A cidade medieval inglesa de Canterbury não sabe como vão terminar as negociações com a União Europeia, mas já pode atribuir ao Brexit, um ano depois da sua vitória, uma revolução na política local.

Depois de 160 anos, os conservadores perderam, nas eleições de 8 de junho, o acento no Parlamento por essa cidade do sudeste da Inglaterra, graças à mobilização de jovens que se vingaram pelo Brexit, pelo qual culpam os mais velhos.

Os trabalhistas ganharam um assento com uma candidata pró-europeia e por apenas 187 votos, "uma comoção", lamentou Kevin Brocklebank, uma publicitária de 60 anos que votou nos conservadores. "Esperava que fosse (um resultado) apertado, mas não achava que fosse ocorrer".

Julian Brazier, um eurocético, foi deputado por Canterbury desde 1987, até que a trabalhista Rosie Duffield se impôs com uma campanha porta a porta.

"Tentava reduzir a vantagem dos conservadores, não imaginava que tivesse chances (de ganhar)", explicou Duffield à AFP. "Foi uma grande notícia".

Para a deputada, o Brexit, rejeitado por 53% dos eleitores de Canterbury no referendo de 23 de junho de 2016, prejudicará a economia da cidade.

- 40.000 estudantes -

"Nossa economia depende de nossa relação com a Europa", disse a deputada, citando o turismo (14% dos empregos) e os programas de intercâmbio internacionais que dão dinamismo às três universidades locais.

A presença de 40.000 estudantes na cidade contribuiu para "esta autêntica surpresa" nas eleições, estima Amelia Hadfield, professora da Universidade Christian Church de Canterbury, e a diretora do Centro de estudos europeus.

"A maioria dos jovens votaram a favor de continuar na UE, e viram, com estupefação, como o resto do país votava a favor da saída. Estão muito decepcionados, sentem que acabaram com o futuro", explicou.

Havia entre eles "uma determinação muito grande a não deixar passar esta oportunidade", acrescentou.

Em apenas um ano, desde o referendo, o número de eleitores registrados em Canterbury aumentou 10%, um aumento que favoreceu os trabalhistas, que duplicaram seu número de votos enquanto os conservadores se limitaram a manter os seus.

- Votos comprados -

Tobias Issac, de 19 anos, votou pela primeira vez em 8 de junho. Não se registrou como eleitor no ano passado, achando que "não tinha suficiente experiência política".

Chateado pelo Brexit, este estudante de fotografia decidiu votar nos trabalhistas, embora toda a sua família vote nos conservadores.

A vitória trabalhista ainda desanima alguns. John Lemond, de 62 anos, afirma que Rosie Duffield "não representa Canterbury", e que os trabalhistas "compraram" os votos dos estudantes prometendo acabar com as taxas universitárias.

Em um artigo publicado na imprensa nacional, um ex-prefeito de Canterbury, George Metcalfe, pediu que os estudantes votem somente em sua cidade de origem.

"É um erro que aqueles que vivem temporariamente na cidade decidam o clima político que nós, como uma circunscrição tradicionalmente conservadora, mantivemos por mais de 100 anos", lamentou Metcalfe.

A reivindicação foi considerada pouco democrática no campus da Universidade de Christ Church.

Rosie Jacksonhorn, estudante de literatura, não sabe onde estará nas próximas eleições, as locais de 2018. Espera continuar seu mestrado na Alemanha, no ano que vem. "Será quem sabe nossa última oportunidade de partir para estudar no exterior", lamentou.

AFP