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Bruxelas faz ensaio geral antes de julgamento pelos atentados de 2016

Sala do antigo quartel-geral da OTAN transformada em tribunal antes do julgamento pelos atentados terroristas de março de 2016 em Bruxelas, Bélgica afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. dezembro 2020 - 13:20
(AFP)

O enorme julgamento pelos atentados executados em Bruxelas em 2016, que deixaram 32 mortos, iniciou nesta segunda-feira (7) com uma espécie de ensaio geral, com uma audiência processual que dá a palavra aos advogados das centenas de vítimas.

Em 22 de março de 2016, jihadistas de uma célula franco-belga protagonizaram ataques com bombas no aeroporto Zaventem e na estação central de metrô de Maelbeek. Além dos 32 mortos, os atentados deixaram um saldo de mais de 340 pessoas feridas.

A partir desta segunda-feira e até 18 de dezembro dezenas de advogados que representam 650 demandantes de 32 nacionalidades terão a oportunidade de argumentar.

Os atentados foram cometidos por um grupo relacionado diretamente aos ataques em Paris de 13 de novembro de 2015, que provocaram a morte de 130 pessoas. A organização extremista Estado Islâmico reivindicou os ataques em Bruxelas.

O julgamento na capital belga terá uma dimensão sem precedentes no país, devido ao grande número de familiares de vítimas e sobreviventes - que sofreram feridas físicas ou traumas psicológicos - que exigem uma reparação.

Ao chegar à sede da audiência nesta segunda-feira, o advogado Jean-Paul Tieleman, que afirma representar cerca de cem demandantes, lamentou que o principal acusado, o francês Salah Abdeslam, não esteja presente.

"Infelizmente será imposta a lei do silêncio", disse o advogado.

As centenas de demandantes dessas pessoas serão identificados e registrados durante a audiência processual, em uma sessão que será realizada na antiga sede da OTAN, transformada em um tribunal, para garantir o espaço e a segurança.

As audiências serão realizadas a portas fechadas e estima-se que serão prolongadas por cerca de duas semanas. Nesse período, os advogados poderão expressar uma opinião final sobre a investigação dos juízes de instrução e eventualmente questionar o que a Promotoria deseja para os 13 acusados.

Abdeslam, o único integrante ainda vivo do comando, foi preso na França. Cidadão francês de 31 anos, não esteve presente na abertura da audiência, como já haviam adiantado algumas fontes judiciais.

Abdeslam é acusado junto com outros sete suspeitos de cometer "assassinatos em um contexto terrorista".

Também está incluído entre os acusados Usama Atar, atualmente com paradeiro desconhecido, embora as autoridades suspeitem que possa ter morrido na Síria.

Atar é considerado um organizador de atentados, assim como os outros três que se envolveram nos ataques, Najim Laachraui e os irmãos Ibrahim e Jalid El Bakraui.

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