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Capitólio dos Estados Unidos, em Washington DC, em 19 de janeiro de 2017

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A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que impõe novas sanções contra Rússia, Irã e Coreia do Norte, e que agora será analisado pelo Senado.

O texto justifica as sanções contra a Rússia por sua suposta interferência durante a campanha eleitoral nos EUA no ano passado, e atribui às sanções ao Irã e à Coreia do Norte a seus programas de armamentos.

A proposta foi aprovada por 419 votos contra 3.

De acordo com o presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, o pacote se propõe a "ajustar os encaixes em relação aos nossos mais perigosos adversários para manter os americanos seguros".

O legislador conservador Ed Royce assinalou que "os serviços de inteligência já chegaram à conclusão de que este ex-agente da KBG [Vladimir Putin] tentou interferir em nossa eleição". "Se não fizermos nada, a Rússia continuará com sua agressão".

Este projeto de lei inclui um mecanismo que limita a capacidade do presidente Donald Trump de evitar a aplicação de sanções à Rússia.

Após a confirmação do projeto no Senado, a única opção que restará a Trump para manter sua margem de manobra será vetar a medida.

Em junho, o Senado aprovou a nova bateria de sanções por 98 vostos a dois.

O projeto é amplo e inclui também sanções ao Irã, especialmente contra os Guardiões da Revolução, acusados de apoiar o terrorismo, e à Coreia do Norte, por seus testes nucleares.

O texto prevê um ponto inédito que incomoda particularmente a Casa Branca: os parlamentares poderão impedir que o presidente, que disse que se dá "muito, muito bem" com Putin, eventualmente suspenda as sanções contra Moscou.

- Incômodo na Europa -

De Paris a Berlim, passando por Bruxelas, a iniciativa do Congresso americano causa incômodo por ser unilateral, sem coordenar com a União Europeia (UE), como havia sido até agora no caso das sanções à Rússia.

A lei também poderá sancionar empresas europeias que trabalhem em oleodutos provenientes da Rússia, e como consequência poderiam ser impedidas de apresentar licitações públicas nos Estados Unidos.

"A unidade do G7 a respeito das sanções é de importância primordial", disse na segunda-feira a porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas.

Schinas também relembrou que o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, disse na recente cúpula do G20 que a UE está pronta para responder.

Os Estados-membros discutirão uma resposta durante uma reunião na quarta-feira, em Bruxelas.

Até agora, Washington e Bruxelas fixaram uma linha vermelha, destacando que nenhuma sanção afetaria o fornecimento energético da Europa.

Em uma aparente concessão, a Câmara Baixa modificou ligeiramente, na segunda-feira, um artigo de maneira que apenas é dirigido aos oleodutos cuja origem é na Rússia, deixando fora das sanções os que começam no Cazaquistão e só atravessam o território russo.

O projeto tampouco caiu bem ao Kremlin, que advertiu que as sanções prejudicam "os interesses de nossos dois países".

AFP