A Câmara de Representantes enviou nesta quarta-feira ao Senado das acusações para o impeachment do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A presidente democrata da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, declarou ao firmar a ata de acusação: "Hoje entramos para a história".

"É muito triste, muito trágico para nosso país, que as ações do presidente para minar nossa segurança nacional, violar seu juramento e colocar em risco a segurança das nossas eleições tenham nos levado até aqui", disse Pelosi, que levou a ata ao Senado.

Os representantes, que aprovaram a medida por 228 votos a 193, também adotaram uma resolução que nomeia sete democratas que servirão como promotores no julgamento político.

Pelosi repetiu sua exigência para que o julgamento no Senado convoque testemunhas do círculo interno de Trump para depor e solicite documentos que foram rejeitados durante a investigação.

Pelosi alertou que a Câmara Alta será culpada de "encobrimento" se não fizer isso.

O julgamento, previsto para começar na próxima semana no Senado, controlado pelos republicanos, decidirá se o presidente deve ou não ser afastado do cargo.

Antes da votação, Trump, que descreveu esse processo como uma "caça às bruxas", acusou os democratas de encenação de uma "farsa".

- Tarefa séria -

No início desta quarta-feira, Pelosi escolheu os sete congressistas democratas que irão atuar como promotores no julgamento contra Trump.

O presidente do Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, Adam Schiff, encarregado da investigação para a abertura do processo de impeachment, liderará o grupo.

Além de Schiff, a equipe de promotores será integrada pelo presidente da Comissão de Justiça da Câmara, Jerry Nadler e outros cinco democratas, a maioria com experiência no sistema jurídico dos Estados Unidos.

"A tarefa diante de nós é séria, mas exigida pelo nosso juramento", afirmou Schiff na Câmara dos Deputados.

"O presidente Trump colocou seus interesses pessoais acima do interesse nacional, acima de nossa segurança nacional. E se ele não for parado, fará de novo", afirmou.

"O único remédio é a condenação e destituição do presidente Donald Trump".

- "Caça às bruxas" -

Trump foi acusado em 18 de dezembro, quando a Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, votou a favor da abertura do processo de impeachment por abuso de poder, buscando a ajuda da Ucrânia para sua campanha de reeleição.

Em uma caminhada solene que só foi realizada duas vezes na história dos Estados Unidos, o processo foi levado da Câmara para o Senado.

As acusações foram lidas em voz alta perante os 100 senadores que irão analisar o caso e definir o futuro do presidente, numa decisão que deve sair na quinta ou sexta-feira da próxima semana.

Trump é acusado de reter ajuda militar à Ucrânia entre julho e setembro para pressionar Kiev a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden, líder na disputa pela indicação do Partido Democrata para concorrer à presidência em 2020.

Também é citado por obstrução do Congresso por não enviar documentos essenciais para o bom funcionamento do processo e por impedir que pessoas importantes em sua administração testemunhassem.

Mas é muito improvável que Trump seja condenado no Senado, já que o Partido Republicano do presidente tem uma maioria de 53 cadeiras, contra 47 dos democratas. É necessária uma maioria de dois terços para destituir o presidente.

- Nova evidência -

Os democratas querem especialmente ouvir o depoimento do chefe de gabinete interino de Trump, Mick Mulvaney, e do ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca John Bolton.

Bolton, que segundo o depoimento de outras autoridades estava incomodado com o plano de pressionar a Ucrânia, se disse pronto para responder a uma convocação do Senado.

"Deveríamos ter depoimento, e deveríamos ter documentos", disse Pelosi.

Na terça-feira, os democratas revelaram novas evidências que apoiariam as acusações contra o presidente e que levarão ao Senado.

A evidência vem de registros telefônicos do advogado ucraniano-americano Lev Parnas, que supostamente trabalhou com o advogado de Trump, Rudy Giuliani, sobre o suposto plano de pressionar Kiev para buscar informações comprometedoras sobre os democratas.

Esses registros também revelam que ambos trabalharam com autoridades ucranianas para tentar expulsar a então embaixadora americana no país, Marie Yovanovitch, que acabou sendo destituída por Trump.

Os registros de Parnas "mostram que há evidências mais importantes sobre o esquema do presidente, mas o próprio presidente o ocultou", afirmou Schiff.

- Batalha pelos depoimentos -

Mas o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, cuja forte maioria definirá as regras para o julgamento de Trump, recusou a convocação de testemunhas antes que as declarações e argumentos iniciais sejam apresentados na casa legislativa.

Assim que as acusações forem apresentadas no Senado, o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, prestará juramento para presidir o processo, na quinta ou na sexta-feira.

Os 100 senadores atuarão como júri e deverão permanecer na câmara por toda a duração do julgamento.

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