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A tensão na Ucrânia aumentou ainda mais nesta sexta-feira com o anúncio do assassinato de um cônsul honorário lituano em Lugansk, reduto dos rebeldes pró-russos no leste

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A tensão na Ucrânia aumentou ainda mais nesta sexta-feira com o anúncio do assassinato de um cônsul honorário lituano em Lugansk, reduto dos rebeldes pró-russos no leste, enquanto parte do comboio humanitário russo entrou no país sem esperar a conclusão da inspeção na fronteira.

O ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Linas Linkevicius, afirmou no Twitter que o cônsul honorário Mykola Zelenets tinha sido "brutalmente morto por terroristas". O assassinato ocorreu no momento de uma visita do chefe da diplomacia lituana a Kiev, onde foi recebido pelo presidente ucraniano, Petro Poroshenko.

Ainda nesta sexta, a Ucrânia denunciou uma invasão direta depois da entrada de parte do comboio humanitário russo no leste do país sem que a inspeção de todos os caminhões fosse feita. As potências ocidentais também condenaram a iniciativa.

Um fotógrafo da AFP viu mais de 70 caminhões cruzarem a fronteira, escoltados do lado ucraniano por combatentes pró-russos em furgões. A OSCE indicou que mais de 130 caminhões entraram em território ucraniano.

Vinte chegaram na tarde desta sexta-feira ao reduto ucraniano pró-russo de Lugansk, seu destino, indicou à AFP um funcionário da administração regional.

"Trata-se de uma invasão direta", reagiu o chefe dos serviços de segurança ucranianos, Valentin Nalivaichenko, que descartou, no entanto, ataques aéreos contra o comboio russo.

"Fazemos tudo o que está em nossas mãos para que isso não tenha consequências mais graves", declarou o presidente ucraniano, Petro Poroshenko.

As autoridades ucranianas, que condenaram uma decisão deliberada e agressiva, afirmaram que seus guardas de fronteira conseguiram inspecionar apenas 34 caminhões.

"Em um destes caminhões que podem transportar 25 toneladas, encontramos 800 quilos de chá. Os outros 33 estavam carregados com no máximo 8 toneladas. São, na realidade, veículos vazios", afirmou o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk.

Este comboio russo foi alvo de disputas durante dias, diante do temor da Ucrânia e de vários países ocidentais de que a ajuda humanitária pudesse ser um pretexto para reforçar a insurgência pró-russa no leste da Ucrânia.

A Cruz Vermelha, que deveria distribuir a ajuda, não acompanhou o comboio, considerando que não tinha as garantias de segurança necessárias.

EUA denunciam violação da soberania ucraniana

O Pentágono exigiu nesta sexta-feira que a Rússia retire imediatamente seu comboio, ameaçando Moscou com novas sanções.

O envio destes caminhões "constitui uma violação da soberania e da integridade da Ucrânia por parte da Rússia", declarou o porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby.

A União Europeia também criticou a decisão da Rússia, considerada pelo bloco uma clara violação da fronteira ucraniana.

Além disso, a Otan denunciou uma violação flagrante dos compromissos internacionais assumidos por Moscou e da soberania da Ucrânia.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta sexta-feira com urgência em Nova York a pedido da Lituânia para abordar este tema.

Já o presidente russo, Vladimir Putin, se justificou em uma conversa por telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmando que mais atrasos no comboio seriam inaceitáveis.

Depois de uma semana de espera do lado russo da fronteira, Moscou anunciou nesta sexta que todos os pretextos de Kiev para retardar o comboio de ajuda humanitária para a população do leste da Ucrânia haviam se esgotado.

Lugansk é um dos principais redutos separatistas do leste da Ucrânia, cercado pelo Exército ucraniano e onde as autoridades locais denunciaram em várias ocasiões uma situação crítica após quase três semanas sem eletricidade, água potável ou rede telefônica.

Nas frentes de batalha, a ofensiva do Exército era mantida nesta sexta-feira em várias localidades próximas aos redutos separatistas do leste da Ucrânia, onde, segundo Kiev, uma grande batalha é travada. O Exército diz ter provocado "perdas consideráveis nos inimigos".

Um porta-voz militar ucraniano falou que duas colunas de equipamentos militares pesados russos foram localizadas na estrada que leva a Lugansk, nas regiões de Molodogardisk e de Davydo-Mykilske.

No principal reduto dos separatistas, Donetsk, os intensos bombardeios voltaram a atingir os arredores da cidade durante a noite, provocando danos em várias casas e na rede elétrica, segundo a Prefeitura.

Na frente diplomática, o presidente Petro Poroshenko prometeu na quinta-feira "falar de paz" com Vladimir Putin, na cúpula regional que será realizada na próxima terça-feira em Minsk, capital de Belarus, com a presença de representantes da União Europeia.

Antes disso, Angela Merkel deve visitar a Ucrânia no sábado.

AFP