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Cacique Aritana 'estável' após dar entrada em UTI com COVID-19

Foto de arquivo do cacique Aritana, do Alto Xingu, em 14 de agosto de 2005 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. julho 2020 - 21:58
(AFP)

O cacique Aritana Yawalapiti, um dos principais líderes indígenas do país, deu entrada em uma Unidade de Terapia Intensiva após se contaminar com o novo coronavírus, mesmo em condição "estável", informou seu filho nesta quarta-feira (22) à AFP.

"Segundo o médico, ele tem chance de viver, está estável", disse em telefonema o seu filho, Tapi, acrescentando que o líder indígena "foi intubado e está em observação médica" em um hospital de Goiânia.

Aritana, líder do Alto Xingu, que tem cerca de 70 anos e é hipertenso, foi transportado ao longo de nove horas enquanto recebia oxigênio, da cidade de Canarana até a capital de Goiás, Goiânia.

Depois de sofrer graves problemas respiratórios que afetaram um dos seus pulmões, Aritana teve que deixar sua aldeia Yawalapiti, no coração do Xingu, para ser atendido em um hospital de Canarana, até ser finalmente transferido para Goiânia na noite da última terça-feira.

Segundo Tapi, o médico que acompanha o cacique informou nesta quarta-feira que ele teria chegado a uma saturação de 97% de oxigênio, nível considerado normal.

"Isso me deixa muito feliz, porque a saturação dele ao sair da aldeia estava em 60%, foi muito preocupante", disse Tapi.

Um irmão e uma sobrinha do cacique morreram por causa da doença, contou o filho do cacique na terça.

A partir disso, Aritana, líder conhecido por defender os direitos dos indígenas e a proteção da Amazônia, teria iniciado uma campanha de arrecadação de fundos para levar cuidados médicos à comunidade, que não possui recursos ou medicamentos para atender pacientes em estado grave.

Na reserva do Parque Indígena Xingu, com área estimada em 26.000 km², vivem cerca de 6.000 indígenas de 16 etnias.

Segundo Tapi, a aldeia dos Yawalapiti tem cerca de 200 habitantes, quatro dos quais testaram positivo para o coronavírus, embora muitos outros apresentem sintomas.

As comunidades indígenas, historicamente dizimadas por doenças trazidas da Europa, são particularmente vulneráveis à COVID-19.

Ao menos cinco indígenas morreram com o novo coronavírus na reserva do Xingu, e 74 estão infectados, segundo a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). A entidade, subordinada ao Ministério da Saúde, estima que haja 231 indígenas mortos e 12.050 infectados pela COVID-19 no Brasil.

No entanto, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), responsável por contabilizar os indígenas falecidos fora de suas terras, amplia esse número para 17.071 casos e 544 mortes.

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