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Foto divulgada pela presidência da república egípcia mostra o presidente Abdel Fattah al-Sisi ao lado do secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Nabil al-Arabi, em 4 de agosto de 2014

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Israel e Hamas aceitaram uma trégua de 72 horas na Faixa de Gaza proposta pelo Egito, em meio às crescentes condenações internacionais à ofensiva israelense neste enclave, que causou a morte de mais de 1.850 palestinos.

"Os contatos do Egito com as diferentes partes levaram a uma trégua de 72 horas em Gaza a partir das 05h00 GMT de amanhã (terça-feira) e o restante das delegações irá ao Cairo para negociações mais amplas", disse uma autoridade egípcia.

Pouco depois, Israel e Hamas confirmaram a informação.

"Israel respeitará o cessar-fogo a partir de amanhã (terça-feira) às 08h00 locais (02h00 de Brasília)", declarou um alto funcionário israelense, que pediu o anonimato.

Essa fonte anunciou também que uma delegação israelense vai viajar ao Egito para as negociações.

"O Hamas informou ao Cairo há alguns minutos sobre a sua aprovação de uma trégua de 72 horas a partir de amanhã (terça-feira)", disse à AFP Sami Abu Zuhri, um porta-voz desse movimento que controla a Faixa de Gaza.

O governo do Cairo, habitual mediador dos conflitos entre Israel e o movimento palestino Hamas - que controla a Faixa de Gaza -, havia convidado na semana passada israelenses e palestinos a enviar delegações para negociar uma trégua.

"Os palestinos concordam com o cessar-fogo proposto pelo Egito", confirmou Azzam al-Ahmed, que lidera a delegação palestina.

Mas apenas a delegação palestina, composta principalmente por autoridades do Hamas e da Autoridade Palestina, está no Cairo. Os israelenses se negam a viajar à capital do Egito.

A Casa Branca saudou a proposta afirmando que trata-se de "uma iniciativa importante, que apoiamos plenamente".

Antony Blinken, vice-diretor do Conselho de Segurança Nacional do governo do presidente Barack Obam, advertiu que "agora corresponde ao Hamas demonstrar que respeitará o cessar-fogo".

-'Não sairemos'-

"Não sairemos, vamos permanecer na Faixa de Gaza. Ainda temos muitas outras missões a concluir", declarou Moti Almoz, porta-voz do Exército ao canal israelense Channel-2. Ele anunciou que todos os túneis identificados tinham sido destruídos.

O Exército israelense havia retomado pouco antes as suas operações, após uma trégua unilateral de sete horas e, apesar de críticas internacionais cada vez maiores.

"A campanha em Gaza continua. Ela vai ser concluída apenas quando os cidadãos de Israel tiverem recuperado a calma e a segurança de forma prolongada", afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desencadeando condenações e apelos por um cessar-fogo imediato.

Explosões voltaram a ser ouvidas nas imediações da Cidade de Gaza, afirmou um correspondente da AFP.

Mais ao sul, em Rafah, duas crianças e uma enfermeira foram mortas a caminho do hospital, de acordo com os serviços de emergência.

Mais de 1.850 palestinos morreram no enclave desde o início desta nova ofensiva, em 8 de julho, destinada, de acordo com Israel, a acabar com os disparos de foguetes a partir de Gaza e a destruir os túneis que permitem aos combatentes palestinos ameaçar o território israelense.

A guerra matou 64 soldados e três civis, do lado israelense. Além disso, um atentado cometido por um palestino com uma escavadeira matou uma pessoa em Jerusalém nesta segunda.

Com a pausa feita pelo Exército israelense em seu bombardeio, esta segunda foi menos violenta do que os outros dias na Faixa de Gaza. No início da noite, 23 palestinos tinham sido mortos, de acordo com os serviços de emergência.

- Consternação -

A tensão gerada pela guerra causou uma tragédia em Jerusalém, que sofreu seu primeiro atentato mortal em mais de três anos e registrou episódios de violência em vários bairros.

Um jovem palestino em uma escavadeira atingiu um ônibus durante a tarde. Um judeu ortodoxo morreu nesse ato classificado de "terrorista" pela polícia. O autor do ataque foi morto.

A guerra em Gaza aumenta a indignação da comunidade internacional.

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, reconheceu o direito "total" de Israel de se defender. "Mas esse direito não justifica que crianças sejam mortas e civis sejam massacrados", disse.

"Quantos mortos são necessários ainda para o fim do que pode ser chamado de massacre de Gaza ?", perguntou. O presidente francês, François Hollande, também já tinha falado de "massacres".

Diante da amplitude do sofrimento dos 1,8 milhão de habitantes de Gaza com uma guerra travada em uma pequena faixa de terra, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, também exigiu um cessar-fogo.

A consternação aumentou depois do terceiro ataque a uma escola da ONU em Rafah em dez dias. Pelo menos dez palestinos morreram no domingo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, denunciou um "ato criminoso", e até mesmo os Estados Unidos, principais aliados de Israel, se disseram "consternados" com um "bombardeio vergonhoso".

Nas últimas 24 horas, o Exército israelense realizou uma grande movimentação de forças de dentro para fora da Faixa de Gaza, constatou um fotógrafo da AFP perto da fronteira, sem que se saiba se há uma retirada ou uma redistribuição de tropas.

"Mantemos o deslocamento na Faixa de Gaza, mesmo que haja forças deixando Gaza", declarou à AFP o porta-voz do Exército, Peter Lerner.

AFP