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Cais Valongo, no Rio de Janeiro, em 28 de junho de 2017

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A Unesco incluiu neste domingo em sua lista do Patrimônio Mundial o sítio arqueológico do Cais do Valongo, que simboliza a chegada em massa e o martírio dos escravos africanos traficados ao continente sul-americano.

O Comitê do Patrimônio mundial, reunido em Cracóvia, na Polônia, evocou a memória de cerca de 900.000 africanos desembarcados no cais de pedra construído a partir de 1811 no Rio de Janeiro.

Para a historiadora Kátia Bogea, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Valongo merece estar "junto com lugares de memória como (a cidade japonesa de) Hiroshima ou (o campo de concentração nazista de) Auschwitz-Birkenau".

A proteção do patrimônio, acrescentou, "nos obriga a lembrar essas partes da história da humanidade que é proibido esquecer".

"É o reconhecimento da dor de uma tragédia, da necessidade de reparação em nome dos milhões de africanos que foram escravizados para proporcionar a mão de obra que construiu" o continente, afirmou Milton Guran, antropólogo responsável pela candidatura do sítio.

O reconhecimento serve "para poder lembrar essa história e reduzir as desigualdades e os prejuízos", completou.

As pedras em que quase um milhão de escravos provenientes da África deram seus primeiros passos no Brasil haviam sido deixadas sob os escombros da metrópole que se desenvolveu.

Protegido por uma simples barreira e sem presença policial, o sítio continua sendo particularmente vulnerável. Ele foi localizado sob uma espessa camada de cimento em 2011, quando se faziam escavações para reabilitar nas obras da zona portuária para os Jogos Olímpicos de 2016.

AFP