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Campanha de 'vingança' contra árabes sacode redes sociais em Israel

Protestos de israelenses de extrema-direita em Sderot, no sul do país. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 03. julho 2014 - 17:06
(AFP)

Depois do assassinato de um jovem palestino de Jerusalém Oriental nesta semana, os apelos por vingança contra os árabes pelo assassinato de três jovens israelenses ganharam impulso nas redes sociais de Israel, onde até os soldados pregam o ódio aos árabes.

As autoridades israelenses se viram obrigadas a agir contra a avalanche de 'selfies' nas redes sociais com o lema "Vingança!" escrito em cartazes e até na pele.

Depois da descoberta dos corpos de três estudantes judeus assassinados na Cisjordânia na segunda-feira, em um episódio que chocou Israel, esta campanha iniciada em uma página do Facebook intitulada "O povo de Israel exige vingança" teve mais de 35.000 opções "Curtir" até ser retirada dessa rede social na quarta.

A página, reaberta nesta quinta-feira, mostra diversas imagens de soldados com os rostos cobertos exigindo uma resposta na mesma moeda em nome de unidade das Forças Armadas que atuam na Cisjordânia ocupada.

"Essas unidades, mobilizadas nos territórios (palestinos), não são as mais educadas do Exército", disse Rudy Saada, um jornalista especializado em redes sociais, considerando que "os extremistas não são os únicos que conseguem atenção".

O Exército israelense deteve por dez dias quatro soldados ultraortodoxos, acusados de divulgar mensagens agressivas na internet, de acordo com a imprensa.

Essa punição não é a primeira no Exército israelense por abusos de seus militares no Facebook. No entanto, nessa ocasião, as forças armadas israelenses garantiram que agiriam "com firmeza".

Uma unidade da polícia especializada em crimes na internet abriu uma investigação por "incitação ao ódio" e por apelos à "agressão de inocentes".

- Da rede às ruas -

A raiva das redes sociais chegou às ruas, e à luz do dia.

Cerca de 200 pessoas participaram na terça de um protesto contra os palestinos em Jerusalém, clamando por uma "caça aos árabes", segundo testemunhas. A polícia anunciou a detenção de 47 manifestantes acusados de agredir palestinos e atacar as forças de segurança.

A ministra da Justiça, Tzipi Livni, integrante moderada do governo de Benjamin Netanyahu, lamentou este ambiente de ódio e considerou que as redes sociais "se tornaram perigosos e violentos locais de incitação".

Após o sequestro dos três jovens em 12 de junho, no sul da Cisjordânia ocupada, os israelenses se concentraram virtualmente em torno da "hashtag" #bringbackourboys (devolvam nossos meninos).

Essa mobilização culminou com um ato que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Tel Aviv, incluindo as famílias dos desaparecidos, na véspera da descoberta dos corpos.

No lado palestino, os internautas não esconderam sua alegria depois do sequestro dos estudantes judeus.

Os militantes palestinos lançaram na quarta a "hashtag" #dontburnourboys (não queimem nossos meninos), em referência à morte de um palestino de 16 anos de Jerusalém Oriental, que teve o corpo queimado.

De acordo com a imprensa, o ataque pode ter sido um ato de vingança de extremistas israelenses.

Em meio a campanhas xenófobas e ao ambiente revanchista, cerca de 3.000 pessoas se concentraram na noite de quarta em Jerusalém em um ato organizado por um fórum antirracismo no Facebook.

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