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(Arquivo) Página inicial do Youtube vista em Washington, no dia 3 de setembro de 2010

(afp_tickers)

Usar o desenho Pokémon para explicar Darwin ou o cantor Stromae para vulgarizar a perspectiva: o vírus da ciência infiltrou o YouTube, filial do Google mais conhecida por seus vídeos humorísticos e musicais.

Jovens cientistas ou amadores apaixonados, não necessariamente nerds de coração, escolheram a plataforma de vídeo para divulgar seus conhecimentos para o maior número possível de pessoas.

"Me sinto um pouco como se tivesse encarregada de uma missão", contou à AFP Florence Porcel, 32 anos, criadora do canal especializado em astronomia "A louca história do Universo" ("La folle histoire de l'Univers", em francês). "É muito importante que cada cidadão compreenda o funcionamento do mundo", afirmou.

Essa é a mesma motivação de Mickaël Launay, por trás do canal "Micmaths", para quem a ciência "é um trunfo da sociedade". "Números são jogados na gente ao longo do dia, e ficamos sem entendê-los muito bem. Cada um deve poder refletir sobre a sociedade de maneira esclarecida", constatou Launay, que entre outros assuntos explica o Teorema de Pitágoras ou os segredos dos números primos.

Mas para poder transmitir sua mensagem, é preciso superar um detalhe importante: a ciência é complicada e não está presente no cotidiano das pessoas comuns.

Para mudar essa imagem, os YouTubers lançam mão de humor, auto-ironia, encenação e efeitos visuais. "Dá pra falar de relatividade e física quântica e ser engraçada", garante Florence Porcel.

"O problema é que na França, quando se fala num assunto científico, é preciso que seja de um jeito sério. Nos países anglo-saxões, os 'vulgarizadores' conseguem fazer rir", explicou a jovem.

A chave do sucesso? Encontrar uma fórmula original. No canal Dirty Biology, Léo Gasset explica em menos de 9 minutos a teoria darwiniana da evolução usando Pokémons. Mickaël Launay apresenta a perspectiva isométrica com a capa de um CD do Stromae.

O perfil destes desbravadores da ciência no YouTube vai do doutor em matemática ao puro autodidata. E numa área tão espinhosa, a credibilidade da explicação é uma questão. "Como não sou especialista, tenho que verificar tudo, cada palavra, cada frase", explicou Florence Porcel.

O controle do YouTube sobre o conteúdo destes vídeos também é questão. "Se amanhã, sob pretexto de vulgarização científica, alguém explicar como fazer um explosivo, esse vídeo será excluído", garante o YouTube. "Mas se alguém fala uma besteira, comete um erro, consideramos que cabe à comunidade alertar e responder ao vídeo nos comentários".

Claudie Asselin–Missenard, professora de matemática, aplaude o trabalho de Mickaël Launay: "Ele faz um bom trabalho na seleção dos conteúdos, sem erros". "Seus vídeos são bem quistos na comunidade escolar", conta.

Mas 'vulgarizador' científico no YouTube ainda não virou uma profissão. "É difícil viver disso hoje em dia", revelou Florence Porcel. Ela se mudou de Paris para Lyon (sudeste da França) para reduzir seus custos.

Mickaël Launay estima que seus lucros girem em torno de 700 a 800 euros (cerca de R$ 2.400) por mês - ganhos com publicidade divididos com o YouTube, mais as doações de seguidores do canal numa plataforma de financiamento colaborativo.

Os YouTubers 'científicos' ainda têm uma grande parcela da população a conquistar. "Todo mundo usa o YouTube, mas as garotas veem vídeos de moda e os meninos os de ciência, é uma pena", constata Florence - 90% dos assinantes de seu canal são homens e têm majoritariamente menos de 35 anos.

AFP