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O candidato à presidência Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), em uma sabatina na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 30 de julho de 2014.

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O candidato à presidência Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), de 49 anos, morreu nesta quarta-feira na queda do jato no qual viajava para Santos, no litoral de São Paulo, uma tragédia que altera o cenário político para as eleições de outubro.

O candidato, terceiro nas pesquisas para as eleições de 5 de outubro e companheiro de chapa de Marina Silva, estava a bordo do avião Cessna 560XL que caiu sobre uma academia de ginástica e casas de Santos, a 75 km de São Paulo.

"É com muito pesar que recebo a notícia da tragédia que envolve Eduardo Campos. Estou muito abalado", afirmou o deputado do PSB Júlio Delgado, no Twitter. Seu colega Beto Albuquerque acrescentou na mesma rede social: "Perdemos nosso maior líder, estou arrasado".

Além de Campos, ex-governador de Pernambuco, outras seis pessoas estavam a bordo do jato executivo e nenhuma sobreviveu, indicou a Força Aérea brasileira, citada pela rede Globo de televisão. Segundo o partido, ele era acompanhado por assessores, um fotógrafo e um cinegrafista.

Sua companheira de chapa, Marina Silva, não estava a bordo do avião, de acordo com a imprensa.

A aeronave havia decolado do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino à base aérea de Guarujá (litoral de São Paulo), declarou em um comunicado Pedro Luís Farcic, chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica brasileira.

O avião arremeteu após uma primeira tentativa de pouso na base aérea e caiu sobre o bairro do Boqueirão.

No local do acidente, foi possível observar uma cratera e destroços em chamas, de onde se elevou uma coluna de fumaça, constatou um fotógrafo da AFP no local. Várias casas também se incendiaram.

Os corpos das vítimas estão desintegrados e carbonizados e deverão ser reconhecidos apenas através do DNA, segundo os socorristas.

Luto oficial de três dias

A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de três dias e suspendeu seus eventos de campanha eleitoral pelo mesmo período em função da morte de seu adversário político.

"O Brasil inteiro está de luto, perdemos hoje um grande brasileiro, Eduardo Campos, perdemos um grande companheiro", afirmou Dilma em uma nota oficial.

Marina Silva manifestou sua "profunda tristeza" com o falecimento. "Foram dez meses de intensa convivência" lutanto pela "esperança de um mundo melhor, mais justo".

O candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) se disse "absolutamente perplexo" com a notícia da morte do ex-governador "e meu amigo Eduardo Campos". "Estamos cancelando, naturalmente, toda a nossa programação aqui no Rio Grande do Norte e as outras que teríamos".

"O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava", destacou Aécio Neves.

A última pesquisa Ibope, divulgada no dia 22 de julho, mostrou Dilma como favorita para a reeleição, com 38% das intenções de voto, seguida por Aécio Neves, com 22%. Campos estava em terceiro lugar, com 8%.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua tristeza pela morte de "um grande amigo e companheiro". "O país perde um homem público de rara e extraordinária qualidade".

Thiago Fernandes, dono de um restaurante a uma quadra do local do acidente, contou ter ouvido um grande estrondo e todos os vidros da frente de seu estabelecimento explodiram.

"Estava trabalhando no restaurante e ocorreu um barulho muito forte, como nunca ouvi antes. Todos os vidros da frente quebraram. Depois nos disseram que uma aeronave havia caído sobre a piscina de uma academia de ginástica a uma quadra de distância", disse Fernandes à rede de televisão GloboNews.

A campanha eleitoral para as eleições presidenciais de outubro começa oficialmente em 19 de agosto. Campos se dirigia nesta quarta-feira ao estado de São Paulo para realizar gravações televisivas da campanha junto à Marina Silva, indicou a GloboNews.

A Aeronáutica já iniciou uma investigação sobre as causas do acidente, segundo seu porta-voz.

Eduardo Campos era casado e tinha cinco filhos.

AFP