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O bilionário checo Andrej Babis, no dia 20 de outubro de 2017 em Pruhonice

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O partido populista ANO, do milionário Andrej Babis, contrário a abrir as portas à imigração e à ingerência europeia, venceu com folga as eleições legislativas na República Checa, segundo os resultados definitivos da votação, divulgados neste sábado.

ANO ("sim" em checo), que fez da luta contra a corrupção, contra o acolhimento dos refugiados e contra a zona do euro suas principais bandeiras, obteve 29,7%, o que lhe dará 78 assentos de um total de 200 no Parlamento.

O ANO é seguido por três partidos com resultados quase idênticos, que Babis poderá escolher para fazer alianças: ODS (direita) com 11,3%, Partido Pirata (antissistema) com 10,8% e o SPD (extrema-direita), do checo-japonês Tomio Okamurae, com 10,7%.

O partido social-democrata CSSD, do atual chefe de governo, Bohuslav Sobotka, registrou uma forte queda, e ficou para trás junto com o Partido Comunista KSCM, os cristão-democratas do KDU-CSL e o movimento STAN (agrupação de prefeitos independentes e personalidades regionais).

O cientista político Michal Klima, da Universidade Metropolitana de Praga, comentou ao canal público CT24 que com esta vantagem o movimento de Babic "poderá escolher quatro ou cinco outros partidos ou poderá inclusive criar uma coalizão com duas formações" para governar.

ANO e SPD poderiam somar, juntos, 108 assentos na Câmara Baixa, segundo os resultados.

- Campanha de desinformação -

"Estamos entusiasmados. Agradecemos aos 1,5 milhão de eleitores, que superam nossas expectativas, pois houve uma campanha de desinformação maciça contra nós", afirmou Babis, que é apelidado de "Trump Checo", em uma coletiva de imprensa.

Em várias oportunidades, ressaltou que é "pró-europeu". "Não sei porque alguém disse que nós estamos contra a Europa", acrescentou. "Não somos uma ameaça para a democracia".

"Estamos prontos para lutar pelos nossos interesses em Bruxelas, somos parte integrante da UE e da OTAN", afirmou. Também convidou a UE a "refletir" e a "parar de falar de uma Europa em duas velocidades".

Antes dos resultados, o primeiro-ministro social-democrata, Bohuslav Sobotka, tinha expressado sua inquietação sobre as relações com o Ocidente com a nova situação política no país.

"As eleições vão decidir a orientação do nosso país, se continuaremos sendo membros da União Europeia e da OTAN, se esses extremistas que tentarão nos tirar dessas estruturas que garantem nossa segurança, estabilidade e prosperidade se fortalecerão", disse depois de votar.

O euroceticismo, com distintos graus, parece ser, portanto, o denominador comum de vários partidos checos.

O checo-japonês Okamura, firme opositor à integração europeia e à imigração, aproveitou uma corrente de opinião presente em toda a Europa do Leste.

Mas segundo Pavel Saradin, analista da Universidade Palacky de Olomouc, a entrada do SPD no futuro governo de coalizão é "pouco provável".

Fundador da gigante agroalimentar, química e midiática Agrofert, Babis, de 63 anos, fez campanha contra a corrupção e prometeu aos checos "uma nova etapa" e uma maior atenção "aos verdadeiros problemas das pessoas".

Mas com um panorama político fragmentado, a configuração da futura coalizão que Babis deverá formar é difícil de prever.

Mais ainda tendo em conta que alguns partidos políticos condicionaram sua participação em uma aliança à renúncia de Babis, fundador e carismático dirigente do ANO, a ser primeiro-ministro. Uma condição que o líder populista não tem nenhuma intenção de aceitar.

Babis reiterou, na véspera dos comícios, sua oposição ao acolhimento de migrantes e à zona do euro, embora não tenha defendido uma saída da União Europeia, na qual seu país entrou em 2004 sem abrir mão da sua moeda nacional, a coroa.

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AFP