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O líder opositor Henrique Capriles, em Bogotá, em 30 de março de 2017

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Um dos principais líderes da oposição, Henrique Capriles, e Lilian Tintori, esposa do opositor Leopoldo López, denunciaram nesta quinta-feira que uma ditadura está em curso na Venezuela após a sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) com a qual a corte assumiu as funções do Legislativo.

"A comunidade internacional precisa de que mais provas para terminar de fixar uma posição unânime e firme de que na Venezuela temos um governo à margem da Constituição? Na Venezuela já há uma ditadura", afirmou, em visita a Bogotá (Colômbia), Capriles, ex-candidato presidencial e atual governador do estado de Miranda (norte).

"Este é um momento de gritar socorro para a comunidade internacional", afirmou durante coletiva na capital colombiana para pedir ajuda humanitária pela crise social e econômica na Venezuela.

Na noite de quarta-feira, a Sala Constitucional do TSJ, ao qual a oposição acusa de servir a ao governo de Nicolás Maduro, assumiu as funções do Parlamento.

Capriles destacou também que "um país que desconhece o Parlamento, que é a instituição mais representativa da democracia" está, então, "sepultando a democracia".

Segundo o opositor venezuelano, a decisão de tirar poder da Assembleia Nacional tem como fim "aprovar os endividamentos inconstitucionais, ilegais para que (...) continue a corrupção na Venezuela".

"O governo de Maduro anda procurando dinheiro desesperadamente para continuar financiando todo o tema das importações" necessário para fornecer alimentos e outros bens básicos a este país muito dependente das compras internacionais, sentenciou.

A Constituição venezuelana prevê que para poder assinar algum tipo de envidamento se requer a aprovação da Assembleia Nacional, faculdade que agora passa ao TSJ, explicou o líder opositor.

Além da crise política em que se encontra mergulhada, a Venezuela sofre uma complicada situação econômica em que faltam 68% dos produtos básicos e a inflação atingirá 1.660% em 2017, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em visita a Buenos Aires, Lilian Tintori, esposa de Leopoldo López, preso desde 2014, também denunciou que uma ditadura está em curso em seu país.

"Na Venezuela há uma ditadura executada, com todos os sintomas de crise humanitária, todos os sintomas de violação sistemática dos direitos humanos", disse Tintori em coletiva de imprensa em um hotel de Buenos Aires após se reunir com o presidente argentino, Mauricio Macri.

Tintori disse ter pedido a Macri para aprofundar o apoio regional ao seu país.

"Grito socorro por 30 milhões de venezuelanos que hoje não têm comida, que hoje não têm remédios, que hoje não têm justiça, que hoje não têm Assembleia Nacional", disse, acompanhada da mãe de López, condenado a 14 anos de prisão.

"Peço socorro aos membros da OEA que apliquem a carta democrática. É hora da aplicação da carta democrática", acrescentou, em alusão ao mecanismo da Organização de Estados Americanos, que prevê sanções para os países nos quais se dão alterações ou ruptura do fio constitucional.

AFP