O cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes admitiu que o sínodo de bispos, convocado pelo papa Francisco em defesa da Amazônia, gera em muitos "resistências e mal-entendidos".

Hummes, relator-geral do Sínodo da Amazônia, que reunirá bispos de todo mundo no Vaticano de 6 a 27 de outubro próximos, concedeu uma série de entrevistas à imprensa católica e participou nesta quinta, em Roma, de um dia de estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Para o cardeal, o sínodo "está gerando resistências e conceitos errôneos. Alguns se sentem ameaçados de alguma maneira, porque creem que seus projetos e ideologias não serão respeitados", antecipou em entrevista à revista italiana dos jesuítas "La Civiltà Cattolica".

O governo do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro manifestou abertamente duras críticas à reunião no Vaticano pela forma como a Igreja quer preservar e defender a Amazônia, afirmou o cardeal.

"Os interesses econômicos e o paradigma tecnocrático são adversos a qualquer tentativa de mudar e estão prontos para se impor com força, violando os direitos fundamentais das populações no território e as normas de sustentabilidade e proteção da Amazônia", resumiu Hummes.

A exploração econômica brutal da Amazônia, floresta tropical que se estende por oito países, além do Brasil, é um dos temas que serão abordados durante o encontro no Vaticano.

"A Amazônia está pior do que se pensa. Sua riqueza está sendo destruída, está se empobrecendo pelo tipo de desenvolvimento econômico. O que acontece ali reflete o que acontece no mundo", lamentou o sacerdote argentino Augusto Zampini, especialista em desenvolvimento.

O cardeal peruano Ricardo Barreto Jimeno, da diocese de Huancayo e vice-presidente da Rede Eclesiástica Pan-Amazônica (REPAM), assegurou que o sínodo quer ser um chamado à Igreja para a ação.

"É preciso começar com os mais pobres entre os pobres: os indígenas da Amazônia", disse.

A evangelização "dos povos indígenas deve apontar para despertar uma Igreja indígena para as comunidades indígenas. Na medida em que deem as boas-vindas a Jesus Cristo, devem poder expressar sua própria fé, através de sua cultura, identidade, história e espiritualidade", destacou o cardeal Hummes.

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