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Carta do físico Albert Einstein, vista no dia 20 de junho de 2017

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Cartas escritas por Albert Einstein em que ele apresenta a colegas suas reflexões sobre a física, Deus e Israel, nos anos 1950, foram vendidas nesta terça-feira, num leilão em Jerusalém, pela soma de 210 mil dólares.

As oito cartas escritas em inglês entre 1951 e 1954, em sua maioria endereçadas ao físico David Bohm, são assinadas por Einstein. Algumas delas têm anotações feitas à mão.

Na carta mais cara, vendida por 84 mil dólares, Einstein destaca que "se Deus criou o mundo, sua principal preocupação certamente não era torná-lo mais facilmente compreensível para nós".

Em outra carta, vendida por 50,4 mil dólares, ele discute a ligação elaborada por Bohm entre a teoria quântica e a teoria da relatividade.

"Eu devo admitir que eu não sou capaz de adivinhar como tal unificação poderia ser alcançada", escreveu o físico.

A carta datilografada ainda inclui uma equação escrita à mão com uma caligrafia caprichada.

David Bohm, nascido nos Estados Unidos filho de pais judeus, trabalhou com Einstein na Universidade de Princeton antes de fugir para o Brasil. Ele perdeu seu posto na instituição devido à caça às bruxas promovida pelo senador americano Joseph McCarthy.

A casa de leilões Winners indicou que as cartas vêm do patrimônio da viúva de Bohm.

Uma outra carta de 1954 menciona a possibilidade de Bohm se instalar em Israel, que havia sido fundada seis anos antes.

Einstein, vencedor do prêmio Nobel da física que tinha recusado a oferta de virar presidente do novo Estado, opinou que aquele não era o momento ideal para tomar essa decisão.

"Israel pode ser viva e interessante no sentido intelectual, mas as possibilidade lá são muito reduzidas, e ir para lá com a intenção de partir na primeira oportunidade seria lamentável", escreveu ele.

Em 1955, Bohm finalmente ocupou a cadeira de professor convidado no renomado instituto de tecnologia Technion, em Haifa, ao norte de Israel.

Einstein foi governador não-residente da Universidade Hebraica de Jerusalém. Em 1955, quando morreu, deixou para a instituição seus arquivos, a maior coleção de documentos seus no mundo.

AFP