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O presidente americano, Donald Trump, em Washington DC, em 1º de maio de 2017

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A Casa Branca considerou, nesta quarta-feira (10), que é desnecessário designar um procurador especial para investigar as suspeitas de laços entre membros da equipe do presidente Donald Trump e Moscou.

"Não pensamos que isso seja necessário", disse Sarah Huckabee Sanders, porta-voz de Trump, ao ser consultada sobre a sugestão feita por congressistas democratas após a demissão do diretor do FBI, James Comey.

"Não há evidência de conluio entre a campanha de Trump e a Rússia e nos agradaria (...) seguir adiante e nos concentramos nas coisas que, honestamente, realmente, preocupam as pessoas", acrescentou, lembrando que ambas as investigações, no FBI (a Polícia Federal americana) e no Senado, já estão em curso.

Citando uma "perda de confiança" de Trump em Comey, a porta-voz disse que o presidente considerou que o agora ex-diretor do FBI cometeu, no ano passado, "uma grande quantidade de erros".

A porta-voz alegou que a demissão não tem qualquer ligação com a Rússia, mas com "atrocidades" e com os "passos em falso e erros" cometidos por James Comey ao longo da investigação, no ano passado, sobre o uso de e-mails por parte da ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton.

A saída de Comey coloca perguntas urgentes sobre o futuro da investigação do FBI sobre a denúncia de ingerência russa na eleição presidencial americana em 2016 e sobre as suspeitas de complô entre o Kremlin e a equipe de Trump.

A oposição democrata - que teme que as investigações atuais no Senado e na Câmara de Representantes, onde os republicanos têm maioria, já estejam politizadas - reivindica que o Departamento de Justiça designe um procurador especial para supervisionar o andamento desse processo.

Hoje, o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, descartou os crescentes pedidos pela nomeação de um procurador especial.

"Hoje, sem dúvida, ouviremos pedidos de uma nova investigação que poderá servir apenas para impedir ir que trabalho atual seja concluído", disse o senador na Câmara.

Oficialmente, Comey foi demitido por gerenciar mal a investigação de alto risco e de alto perfil da adversária de Trump na disputa eleitoral. A explicação foi recebida com ceticismo e descrédito pelos democratas e até por alguns republicanos, correligionários do presidente.

O líder democrata do Senado, Chuck Schumer, que liderou os pedidos pela nomeação de um procurador especial, disse que há "poucas razões para pensar" que esse seja o verdadeiro motivo por trás da demissão de Comey.

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