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O muçulmano Mahmud Mansour e sua noiva israelense, Morel Malcha, em uma sofá da casa de Mahmoud, em um distrito de Tel Aviv, em 17 de agosto de 2014.

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Mahmud e Morel não imaginaram que o dia mais feliz de suas vidas seria ofuscado pelos gritos de ódio de manifestantes da extrema-direita israelense contrários a este casamento entre um muçulmano e uma judia convertida.

Centenas de manifestantes atenderam no domingo ao apelo da organização ultradireitista Lehava, que milita contra "a assimilação de judeus e os casamentos mistos".

Vestidos com camisas exibindo lemas racistas, fortalecidos por mais de um mês de guerra na Faixa de Gaza, os manifestantes passaram a noite entrando em confronto com centenas de policiais, tentando se aproximar dos convidados para insultá-los e trocando xingamentos com dezenas de pessoas comovidas pela história de Mahmud e Morel.

Os defensores do casal distribuíram rosas e carregaram cartazes que proclamavam: "O amor é mais forte que tudo" ou "Judeus e muçulmanos se negam a ser inimigos".

"Morte aos árabes" ou "nunca terão minha irmã", gritavam em resposta manifestantes que carregavam bandeiras israelenses.

Os incidentes foram transmitidos ao vivo pela televisão.

O casal "Romeu e Julieta" israelense - ele empresário de 26 anos, ela professora de 23 - se conheceu há cinco anos. Morel Malka, judia, se converteu ao Islã. Morel e Mahmud Mansur pensavam que sua união teria consequências nas relações familiares, mas não imaginaram que isso seria um reflexo das tensões do país, exacerbadas pela guerra em Gaza.

A situação escapou totalmente ao seu controle depois que publicaram o convite de seu casamento no Facebook. Com isso, a organização Lehava convocou uma manifestação em frente ao salão de recepção.

"Nada nos afetará, teremos um casamento lindo, o mais bonito que se pode imaginar", dizia o noivo sorridente antes da cerimônia.

Quatro horas antes da recepção, no pequeno apartamento da família Mansur em Jaffa, um bairro popular de Tel Aviv conhecido pela coexistência pacífica entre judeus e árabes israelenses, a família decorava o salão e dispunha os aperitivos nos pratos.

Nada a celebrar

O pai da noiva não estava lá. Ele havia anunciado pela televisão que não iria ao casamento de sua filha com um árabe.

Já o noivo passou boa parte do domingo no tribunal de Rishon Lezion para tentar fazer com que a manifestação prevista para a noite fosse proibida.

Seu advogado argumentou que o casal tinha sido vítima de intimidação e perseguição. Mas o juiz autorizou a concentração, sob a condição de que ocorresse a 200 metros do salão de recepção.

O caso, muito acompanhado pela imprensa local, chegou aos ouvidos do presidente israelense, Reuven Rivlin, que disse temer que uma linha vermelha fosse cruzada com esta manifestação.

A ministra da Justiça, Tzipi Livni, se disse envergonhada pela ação dos ultradireitistas, que semeia o ódio. "Este tipo de extremismo é insuportável", afirmou na rádio.

Os noivos tiveram que contratar guarda-costas para proteger os convidados. Às 20h00, na zona industrial de Rishon Lezion, os centenas de convidados precisaram abrir caminho entre os manifestantes.

"É um casamento, mas não há nada a comemorar, já que a assimilação (o casamento de judeus com pessoas não judias) é uma calamidade", explicou o integrante da organização Lehava Bentzi Gopstein, conhecido por suas declarações racistas.

AFP