Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Vista geral do cosmódromo de Vostochny, no dia 20 de maio de 2015

(afp_tickers)

O cosmódromo de Vostochny, que deve substituir o de Baikonur, simboliza as renovadas ambições da indústria espacial russa - mas até agora tem sido sobretudo uma fonte de escândalos de corrupção e de más condições de trabalho.

Moscou tenta reativar um setor espacial que foi motivo de orgulho durante o período soviético mas que agora acumula fracassos, como a perda este mês do satélite mexicano Centenario, após uma falha no lançamento de um foguete.

O presidente russo Vladimir Putin transformou a recuperação do setor numa prioridade e a Rússia empreendeu uma reforma de sua agência espacial e colocou em andamento um novo tipo de foguete, assim como um novo cosmódromo.

A Rússia, que desde a queda da URSS, em 1991, utiliza o cosmódromo de Baikonur, no aliado Cazaquistão, constrói há três anos sua própria base espacial em Vostochny, na região do rio Amur (Extremo Oriente).

Desde que as obras começaram, 10.000 operários trabalham na construção desta imensa região pouco povoada de 115 quilômetros de estradas, 125 quilômetros de vias férreas e uma cidade com capacidade para alojar 25.000 habitantes.

Não obstante, paralelamente, a justiça abriu dezenas de investigações por supostos casos de corrupção e os operários se queixaram de não receberem seus salários.

"Não houve nenhuma licitação e a [empresa escolhida], Spetstroi Rossii foi incapaz de organizar as obras. Os salários eram baixos e as condições de trabalho desastrosas", estimou o analista Serguei Gorbunov, ex-porta-voz da agência espacial russa Roskosmos.

O cosmódromo de Vostochny está na Rússia e não no Cazaquistão, o que permitirá a Moscou deixar de depender da ex-república soviética da Ásia Central, que cobra caro pelo aluguel de Baikonur, em particular os lançamentos de voos tripulados com destino à Estação Espacial Internacional (ISS).

Para facilitar as subidas em órbita, os russos optaram por construir um cosmódromo em um lugar mais próximo ao Equador que a base que já existe na Rússia, mas muito ao norte, a de Plesetsk.

Vostochny terá apenas 700 km² de superfície, dez vezes menos que Baikonur, e acredita-se que será menos competitivo.

Está previsto que os primeiro lançamentos ocorram em dezembro deste ano, com o objetivo que lance um voo tripulado em 2018. Também está prevista uma plataforma de lançamento para o novo foguete de Angara, atualmente em fase de testes, com o objetivo de substituir o foguete Proton.

- Estudantes -

Muitos russos só descobriram os problemas de Vostochny durante a sessão anual de perguntas e respostas com Putin em abril, quando os trabalhadores que haviam trabalhado na construção de Vostochny perguntaram ao presidente russo porque eles estavam há quatro meses sem receber salário.

"Só este ano direcionamos 4 bilhões de rublos (720 milhões de euros) ao cosmódromo. Por que os recursos não chegam aos subcontratantes? Por que os salários não são pagos? Vamos descobrir a resposta, mas continuem trabalhando", respondeu Putin.

Autoridades anunciaram depois a entrega de uma ajuda de emergência para pagar os salários em atraso. Em 18 de maio, o ex-empresário encarregado das obras foi preso e acusado de peculato.

Em maio, 130 estudantes foram enviados para Vostochny e outros 1.000 ainda são esperados para passar as férias de verão.

"Muito dinheiro foi desviado. Assim ocorre com todos os encargos públicos, mas agora que o governo assumiu o caso, não haverá mais problemas", garantiu Igor Marinin, editor da revista especializada Novosto Kosmonavtiki.

AFP