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(Nasa) O planeta-anão Ceres, em foto obtida no dia 6 de março de 2015

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Considerado no passado como um planeta, depois um asteroide e agora um planeta-anão com algumas características de lua, os cientistas ainda estão intrigados por Ceres - este corpo celeste que só agora começa a ser mais bem conhecido.

Novas observações dessa misteriosa bola de rocha e gelo - de 950 km de diâmetro, orbitando ao redor do Sol entre Marte e Júpiter - acrescentaram mais ingredientes ao enigma, informaram os pesquisadores nesta segunda-feira.

A sonda Dawn (Aurora), uma missão de 473 milhões de dólares da Agência Espacial Norte-americana (Nasa) que desde 6 março orbita ao redor de Ceres, obteve informações adicionais sobre dois intrigantes pontos brilhantes na superfície do protoplaneta. Eles já especificaram que um é muito diferente do outro.

Enquanto o ponto 1 é muito mais frio do seu entorno imediato, o ponto 5 não é, informou a equipe de cientistas da Dawn presente em Viena, no marco da Assembleia Geral da União Europeia de Geociências, organização que reúne estudantes de ciências da Terra e do espaço.

"O que podemos dizer é que um dos pontos brilhantes parece comportar-se de maneira muito diferente. Isso é tudo o que podemos dizer agora", afirmou Federico Tosi, que estuda o Ceres a partir de dados enviados pela sonda.

Os pontos 1 e 5 fazem parte das dezenas de pontos brilhantes vistos em fotografias tiradas pela Dawn em que eles aparecem como luzes sobre uma superfície cinzenta.

Descoberto em 1801 pelo astrônomo siciliano Giuseppe Piazzi, Ceres se move no cinturão de asteroides a cerca de 9,9 bilhões de quilômetros do Sol, cumprindo uma órbita completa a cada 4,61 anos terrestres.

A equipe da sonda Dawn foi capaz de reunir imagens de Ceres tiradas com diferentes comprimentos de onda de luz, explicou Tosi à imprensa.

Uma das imagens que correspondem ao que o olho humano vê mostra Ceres como uma esfera "marrom escura" com dois pontos claramente visíveis.

No entanto, nas imagens térmicas, o ponto 1 é visto como uma mancha escura em uma esfera vermelha, indicando que "é mais frio do que o resto da superfície observada na mesma hora do dia de Ceres, sob as mesmas condições de iluminação Solar", disse Tosi.

A "grande surpresa", acrescentou ele, é que o ponto 5 desaparece na imagem térmica.

"O que é certo é que existem pontos brilhantes na superfície de Ceres, que pelo menos do ponto de vista térmico parecem se comportar de maneira diferente", acrescentou.

Teorias que explicam o que são esses pontos variam de seria gelo até "minerais hidratados", ou seja, a água que não está na forma de gelo puro, mas absorvida por minerais.

Menos crateras do que se esperava

A presença de gelo seria difícil de explicar porque Ceres está em uma área não muito longe o suficiente do Sol para permitir a formação de "gelo estável" na superfície, explicou Tosi, membro do Instituto Nacional de Astrofísica, em Roma.

Outro aspecto intrigante são as diferenças entre Ceres e seu vizinho Vesta, um asteroide estudado pela Dawn em 2011 e 2012. Vesta é brilhante e reflete grande parte da luz solar, enquanto Ceres é escuro.

A equipe também observou menos crateras na superfície de Ceres, diferentemente do que já havia sido encontrado em Vesta.

"Quando comparamos o tamanho das crateras de Ceres com as de Vesta, foi um número bem menor do que estávamos antecipando", contou Christopher Russell, principal cientista da missão Dawn.

Outras marcas presentes na superfície, no entanto, sugerem que Ceres "teve uma história violenta em matéria de colisão", segundo Martin Hoffman, do Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar.

As coisas vão ficar mais claras nos próximos meses na medida em que a sonda Dawn - que durante semanas permaneceu lado escuro da Ceres - for se aproximando da superfície para observar sua composição e temperatura.

Os pesquisadores esperam que a missão, em seguida, forneça informações valiosas sobre a formação do nosso Sistema Solar, da qual Ceres parece ser, aparentemente, uma relíquia.

AFP