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Palestinos apoiados em janela de uma casa localizada na Faixa de Gaza, fortemente atingida pelos bombardeios israelenses.

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Os negociadores israelenses e palestinos concordaram nesta segunda-feira sobre prolongar o cessar-fogo na Faixa de Gaza por mais 24 horas, até a meia-noite de terça, com o objetivo de negociar uma trégua duradoura nesse conflito.

Ambas as delegações "chegaram a um acordo para prolongar por 24 horas o cessar-fogo" no território palestino - anunciou um alto funcionário palestino no Cairo, uma hora antes do fim da trégua atual, às 18h (no horário de Brasília).

Pouco depois, uma fonte do governo israelense, que pediu para não ser identificada, confirmou a extensão até a meia-noite de terça (18h no horário de Brasília), acordada "a pedido do Egito, para continuar com as negociações".

Assim, enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aumentava a pressão, as informações provenientes do Cairo indicavam o avanço nas negociações baseadas em uma proposta egípcia.

"Estamos prontos para todos os cenários", afirmou Netanyahu.

Segundo ele, a ofensiva lançada por Israel em 8 de julho contra o movimento islâmico palestino Hamas "continuará até que seu objetivo tenha sido alcançado", ou seja, "devolver a calma e a segurança" a Israel.

"As ameaças de Netanyahu não têm qualquer valor", rebateu o porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri.

- Sangrento balanço de mortos em Gaza -

Depois do anúncio do cessar-fogo, um membro da delegação palestina confirmou que "ambas as partes acolheram com muita flexibilidade" uma nova proposta da mediação egípcia. "Fizemos progressos", completou.

O projeto inclui a proposta palestina de abrir um porto e um aeroporto em Gaza, à qual Israel se opõe, disse essa fonte consultada pela AFP, acrescentando que "ambas as delegações consultam seus Estados-Maiores".

Nesse contexto de intensificação dos esforços diplomáticos, o Ministério da Saúde de Gaza informou que a ofensiva israelense matou 2.016 palestinos, civis em sua maioria, e deixou 10.196 feridos. Entre as vítimas fatais, há 541 crianças, 250 mulheres e 96 idosos.

Já Israel anunciou que cinco de seus 64 soldados mortos desde 8 de julho foram alvo de "fogo amigo". Além disso, os foguetes lançados de Gaza também mataram três civis em território israelense.

- Três guerras em seis anos -

Considerado uma organização "terrorista" por Israel, pela União Europeia e pelos Estados Unidos, o Hamas negocia no Cairo, integrando uma delegação que inclui representantes da Jihad Islâmica e do Fatah, ligado ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. Para os palestinos, a suspensão do bloqueio de Israel imposto a Gaza é condição básica para avançar no diálogo.

O Ministério israelense da Defesa se antecipou a um possível fracasso das negociações, ao ordenar a interrupção do tráfego ferroviário entre duas cidades do sul de Israel por medo dos foguetes palestinos.

Ambas as partes parecem conscientes de que as hostilidades poderão voltar rapidamente para esse superpopuloso enclave palestino de 362 km2, que vive sua terceira guerra em seis anos. Nesse sentido, o coordenador especial para o processo de paz da ONU, Robert Serry, pediu aos dois lados "que alcancem um acordo de cessar-fogo duradouro, que responda aos problemas subjacentes em Gaza".

A tarefa dos negociadores é complicada pela multiplicidade de atores palestinos. Abbas foi a Doha se reunir com o líder do Hamas, Khaled Meshal, que está exilado, e com o emir do Qatar, Tamim ben Hamad al Thani, um aliado-chave do movimento islâmico.

Segundo informações vazadas do Cairo, além da trégua também se negocia uma maior abertura dos postos fronteiriços israelenses à circulação de bens e pessoas; a reabertura da passagem de Rafah com o Egito; uma supervisão internacional das fronteiras da Faixa de Gaza; uma extensão da zona de pesca para a população de Gaza e das modalidades para transferir dinheiro.

AFP