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Chavismo lava as mãos em disputa Guaidó-Parra e promete eleições legislativas

Cabello participa de entrevista coletiva na Assembleia Nacional Constituinte, em Caracas afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. janeiro 2020 - 21:40
(AFP)

O chavismo se desligou nesta quarta-feira (8) da disputa entre Juan Guaidó e Luis Parra pelo controle do opositor Parlamento da Venezuela, apesar de apoiar na Câmara o adversário de Guaidó e prometei eleições legislativas em breve.

Diosdado Cabello, presidente da governista Assembleia Constituinte, que rege como um "suprapoder" o país caribenho, qualificou de "triste espetáculo" a "luta" entre setores da oposição entre Guaidó e Parra, um deputado que rompeu com o líder opositor no começo de dezembro, após ter sido acusado de corrupção.

"É uma luta pelo espaço entre eles", disse Cabello à imprensa em frente ao Palácio Legislativo, em Caracas.

Na terça-feira, Guaidó e deputados opositores forçaram a entrada no Parlamento em frente a militares que bloqueavam o prédio. Já na Câmara, o dirigente jurou cumprir os deveres de presidente encarregado da Venezuela, após ser ratificado como chefe do Legislativo por uma centena de deputados aliados.

Deste cargo, Guaidó reivindicou há um ano a presidência interina com reconhecimento de cerca de 50 países, liderados pelos Estados Unidos, depois que a maioria da oposição legislativa declarou o governante socialista Nicolás Maduro "usurpador", acusando-o de se reeleger fraudulentamente.

Parra liderou uma breve sessão antes do surgimento de Guaidó e deixou o local apressado.

O chavismo procura explorar fraturas na oposição, mas ao mesmo tempo a proclamação de Parra levou-a a se reagrupar em torno de Guaidó.

Felix Seijas, diretor do centro de pesquisas Delphos, acredita que os adversários de Maduro poderiam "repotencializar diferentes flancos: apoio internacional, uma oportunidade de unificar e resgatar a energia do povo", que estava diminuindo com a resistência do presidente no poder.

Mas o consultoria Eurasia Group acredita que o partido no poder vai aproveitar para aumentar "a perseguição", com dezenas de líderes da oposição presos ou exilados, e "avançar para novas eleições" da Assembleia Nacional unicameral "em seus próprios termos".

- Votação à vista -

Luis Parra, cujo nome foi vinculado pelo site de investigação sobre jornalismo Armando.Info, com casos de corrupção relacionados à importação de alimentos do governo Maduro, foi proclamado no domingo presidente do Parlamento, impulsionado por deputados do partido do governo: o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela).

Naquele dia, Guaidó e outros congressistas da oposição ficaram do lado de fora do Palácio Legislativo entre piquetes militares e policiais.

O líder da oposição convocou, então, uma sessão na sede de um veículo de comunicação, o El Nacional, e foi ratificada por 100 legisladores.

Maduro reconheceu Parra imediatamente.

O presidente tinha deixado de reconhecer as diretrizes do Parlamento desde 2016, quando a oposição assumiu o controle desse poder após conquistar 112 cadeiras de 167 possíveis em dezembro de 2015.

A Suprema Corte declarou o Congresso em desacato, e suas funções foram assumidas, na prática, pela Assembleia Constituinte.

Em 2020, o último ano da atual legislatura, são esperadas novas eleições.

Cabello disse que a Constituinte tomará "as decisões que tiver que tomar" e prometeu, sem informar datas, uma convocação às urnas em breve.

Guaidó insiste na realização de eleições presidenciais sem a participação de Maduro. A oposição boicotou o pleito de 2018, quando o presidente foi reeleito, alegando falta de condições.

"As presidenciais têm uma probabilidade muito baixa (...) Condicionar tudo a estas eleições é um erro porque está fechando uma porta que vai se abrir" com as legislativas, comentou Seijas à AFP.

Parra propõe "normalizar" relações entre poderes públicos e "superar o desacato". "É o fundamental", disse nesta quarta em entrevista a uma emissora de rádio.

- Sanções e protestos -

Os Estados Unidos avaliam adotar sanções contra deputados, alegando que aceitaram propina, antecipou nesta quarta-feira à imprensa um alto funcionário do governo Trump:

"Há pessoas (...) que podem ter aparecido no radar pela primeira vez", que "tomam dinheiro de pessoas que já estão sancionadas".

A Casa Branca já advertiu que agirá se, na escalada dos acontecimentos, Guaidó for detido.

Depois de renovar um juramento como "presidente encarregado", com apoio ratificado dos Estados Unidos, da União Europeia e do Grupo Lima, Guaidó convocou três dias de "atividades de rua" nesta semana (quinta, sexta e sábado) e uma manifestação em direção ao Palácio Legislativo na próxima terça-feira.

Ele tenta recuperar o poder de convocatória, porque foi impossível reeditar nos últimos meses os massivos protestos que ele comandou no início de 2019.

Washington alertou que tomará medidas se, na escalada, o líder parlamentar for preso.

Depois que suas tentativas de depor Maduro em 2019 falharam, sua popularidade, que chegou a 63%, caiu para 38,9% em dezembro, segundo o instituto de pesquisas Datanálisis.

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