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O chefe da bancada oficialista, Héctor Rodríguez (E), deixa a Suprema Corte, em Caracas, no dia 10 de janeiro de 2017

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O chavismo pediu nesta terça-feira à justiça a anulação da decisão do Parlamento venezuelano, de maioria opositora, que declarou na segunda-feira o presidente Nicolás Maduro em "abandono de cargo", ao responsabilizá-lo pela grave crise que o país atravessa.

"Acabamos de apresentar um recurso contra a decisão da Assembleia Nacional, contra a Assembleia Nacional, pela ação ilegal, inconstitucional e que beira ao ridículo que vimos no dia de ontem", declarou à imprensa o chefe da bancada oficialista, Héctor Rodríguez, em frente ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

A ação também solicita que a justice processe os legisladores que aprovaram a medida e determine suas possíveis "responsabilidades penais, políticas, jurídicas e administrativas", acrescentou Rodríguez.

A Assembleia Nacional, controlada pela opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), votou a iniciativa e pediu a realização de eleições, na véspera de Maduro cumprir seu quarto ano de mandato.

"Aprovado o acordo com o qual se qualifica o abandono do cargo a Nicolás Maduro e se exige uma saída eleitoral para a crise venezuelana para que seja o povo quem se expresse através do voto", anunciou o chefe do Legislativo, Julio Borges, ao ler o acordo na tribuna do plenário.

Segundo a extensa declaração, "Maduro provocou uma crise sem precedentes na Venezuela" e está "à margem da Constituição" por provocar "devastação econômica", "ruptura da ordem constitucional" e "violentar os direitos" dos venezuelanos.

Apesar da Constituição prever o "abandono de cargo", o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado pela oposição de servir ao chavismo, não tardou a esclarecer que a Assembleia "não tem faculdade para destituir" o presidente.

"O presidente Nicolás Maduro está em pleno exercício de suas funções constitucionais. Gostando ou não, não cabe aos órgãos legislativos avaliar a gestão de um governante", apontou Rodríguez.

Ele observou ainda que, em todo o caso, todos os atos da Assembleia são nulos por atuar em "desacato", como determinou o TSJ há um ano após a posse de três deputados opositores cuja eleição foi suspensa por suposta fraude.

AFP