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(8 jun) Polícia detém um manifestante em Caracas

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Partidários da oposição e do chavismo se enfrentaram nesta quinta-feira, em Caracas, quando os primeiros se dirigiam à sede do organismo eleitoral para pedir a ativação de um referendo revocatório do mandato do presidente Nicolás Maduro.

A briga - que incluiu socos e pedradas - ocorreu nas imediações do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), no centro de Caracas, onde 150 opositores, entre eles trinta deputados, chegaram exigindo planilhas para a coleta de assinaturas.

Em meio à troca de insultos, os governistas (meia centena instalados diante da entrada principal do CNE) lançaram pedras contra os opositores, desencadeando um confronto que deixou vários feridos.

Os simpatizantes da oposição também responderam com pedradas e enfrentaram os governistas com socos, levando à mobilização pela Guarda Nacional de um cordão que os separou momentaneamente, antes de os chavistas o romperem, obrigando seus adversários a se dispersar.

O líder da bancada opositora na Assembleia Legislativa, Julio Borges, foi atacado por militantes chavistas, que o socaram, chutaram e atingiram com um cano. O político saiu ensanguentado.

Perseguido por militantes chavistas, Borges se refugiou no prédio da Assembleia Nacional, próximo ao CNE, e depois relatou a agressão aos jornalistas.

Borges acusou um general da Guarda Nacional de ter ordenado a retirada dos deputados da sede do CNE sem qualquer proteção diante do assédio dos chamados "coletivos" chavistas.

Segundo o deputado José Guerra, que estava com Borges, alguns chavistas tinham armas de fogo, e inclusive a Guarda Nacional fez "disparos de cartucho para dispersá-los".

"As Forças Armadas se tornaram um asco, não defendem o povo e sim um governo corrupto", afirmou o presidente do Congresso, Henry Ramos Allup.

"Apesar da emboscada madurista, expedimos o documento que exige que o CNE entregue os formatos para iniciar a coleta de assinaturas" destinadas a reativar o referendo, escreveu no Twitter o secretário-executivo da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesus Torrealba.

Maduro culpou a oposição pelos confrontos e ameaçou prender todos os "provocadores".

"Condeno a violência ocorrida hoje no centro de Caracas, produto da ação da direita, e peço ao povo que não ceda às provocações", disse Maduro durante uma manifestação diante do Palácio Presidencial em apoio aos programas sociais do governo.

Maduro - que enfrenta uma onda de protestos devido a profunda crise que afeta a Venezuela - reafirmou que a oposição quer gerar uma "espiral de violência nas ruas" para derrubá-lo, e exortou seus partidários a manter a calma porque o país "vai seguir em paz, apesar deles".

"Mas que ninguém se engane, há vagas suficientes nas prisões para todos os provocadores de direita e não vou vacilar para fazer cumprir a Constituição e as leis da República".

A oposição impulsiona esta consulta e uma emenda constitucional que encurte o mandato de Maduro (2013-2019), além de mobilizações populares.

O referendo revocatório pode ser ativado na metade do período de Maduro, completada este mês, e para ser convocado são necessárias as assinaturas de 20% dos eleitores, quase quatro milhões.

Quase 40 dias depois de ter apresentado ao CNE 1,8 milhão de assinaturas para abrir o processo, a MUD ainda não completou o primeiro passo no processo do referendo.

Líderes opositores esperavam que o CNE publicasse na quarta-feira o mapa do caminho do referendo, depois de ter sido anunciado na terça-feira que, das 1,8 milhão de assinaturas, 1,3 milhão são válidas, seis vezes mais que as 200.000 exigidas por lei para ativar a consulta.

Segundo as pesquisas, de seis a sete em cada dez venezuelanos é favorável a uma mudança de governo. Para revogar o mandato de Maduro, a oposição precisa de mais de 7,5 milhões de votos, com os quais foi eleito em 2013 após a morte de Hugo Chávez.

A discussão sobre o referendo ocorre tendo como pano de fundo uma crescente tensão social e protestos que se tornaram cotidianos, diante do agravamento da escassez de alimentos e remédios e da alta do custo de vida. A inflação é a mais alta do mundo: 180% em 2015 e o FMI prevê 700% para o encerramento deste ano.

AFP