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O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, em Assunção, no dia 14 de julho de 2016

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O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, expressou nesta sexta-feira estar disposto a observar o organismo do processo de referendo revogatório presidencial na Venezuela, assim como o protesto da oposição, que quer acelerar a consulta.

O deputado Luis Florido e o exilado político Carlos Vecchio, ambos do partido opositor Vontade Popular, se reuniram em Washington com Almagro, a quem pediram o envio de uma delegação da OEA para observar a manifestação, prevista para o dia 1º de setembro, em Caracas.

O chefe da OEA expressou através de seu chefe de gabinete, Gonzalo Koncke, sua "disposição" em avaliar o acompanhamento do protesto, convocado pela oposição para exigir às autoridades eleitorais venezuelanas que anunciem a data para o recolhimento das quatro milhões de assinaturas (20% do padrão eleitoral) necessárias para convocar o referendo.

"Almagro mostrou sua disposição em colocar os serviços da Secretaria Geral da OEA ou de outras instâncias da OEA que possam ser utilizados", disse Koncke a jornalistas após o encontro.

O ex-chanceler uruguaio também aceitou avaliar o envio de observadores na coleta das assinaturas, apontou Koncke.

Mas o futuro de ambas as iniciativas é incerto, pois desde 2006 a Venezuela não permite missões da OEA para observar seus processos eleitorais.

"Ditadura"

A opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) pede que "personagens da vida pública" dos países da região assistam "ao vivo" a manifestação para "ratificar e ver que a vocação do povo venezuelano é sair disto em paz", assinalou Florido.

"E que eles sejam testemunhas de que qualquer evento (violento) não será promovido pelos fatores da unidade democrática", acrescentou o congressista e presidente da Comissão de Política Exterior da Assembleia Nacional (de maioria opositora).

Almagro expressou sua preocupação devido à sentença dada pelo máximo tribunal de justiça venezuelano, que manteve o aval aos militares para usar armas de fogo no controle da ordem pública, segundo Koncke.

Na terça-feira, a presidente do órgão eleitoral, Tibisay Lucena, anunciou que a coleta de assinaturas seria realizado no fim de outubro, mas não deu uma data precisa.

O calendário oficial distancia a possibilidade de o referendo ser realizado antes do dia 10 de janeiro de 2017. Se o mandato de Maduro for revogado antes dessa data, eleições devem ser convocadas, mas se for depois, seu vice-presidente completará os dois anos restantes do mandato.

"Se lhe tiram o direito de revogar esse mandato, isso é um golpe de Estado, isso é uma ditadura", sentenciou Vecchio.

Maduro enfrenta o descontentamento de uma população que sofre com escassez de alimentos e remédios, que atinge 80% do país, e uma inflação de 180,9% em 2015.

Enquanto isso, a maioria opositora no Parlamento e o governo estão envolvidos em um conflito institucional, que as tentativas de diálogo iniciados pelo ex-chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, não conseguiram resolver.

Florido assinalou que sem uma data anunciada para o referendo, nem a liberação de opositores presos, como o dirigente Leopoldo López, e a "abertura de um canal humanitário", o diálogo fica "momentaneamente ferido".

"Não tiveram resultados concretos (...) e em alguns aspectos a situação piorou", concordou Koncke.

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AFP