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Erik Solheim, diretor executivo do Pnuma, em Kigali, no dia 13 de outubro de 2016

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O chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) está confiante de que os Estados Unidos não vão abandonar o Acordo de Paris sobre o clima, e aguarda uma decisão oficial de Washington no próximo mês.

Erik Solheim contou em entrevista à AFP nesta segunda-feira (24) que caso os EUA saiam do acordo, a China e a União Europeia vão manter as decisões propostas, e irão liderar o processo que visa a reduzir a emissão de gases que intensificam o efeito estufa.

"Estou confiante... Acho que poderemos contar com os Estados Unidos", disse Solheim, que na semana passada esteve na sede da ONU, em Nova York, além de participar de reuniões com o Departamento de Estado americano, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, em Washington.

O diretor-executivo do Pnuma informou que a decisão final do governo Trump deve ser anunciada antes do encontro do G7, que ocorrerá na Itália no fim de maio.

Apesar das incertezas quanto à decisão de Washington, as empresas americanas já estão modificando sua linha de produção tomando como base a economia verde. Grandes investimentos em energia solar e em outras formas de energia limpa estão sendo feitos, declarou Solheim.

"Independentemente do que aconteça com as políticas americanas, os Estados Unidos estarão aptos a cumprir as decisões do acordo de Paris, devido ao crescimento do setor privado", disse.

"Isso é o que define a realidade. A realidade não engloba apenas decisões políticas, mas a tecnologia e os negócios", prosseguiu.

O Acordo de Paris sobre o clima foi firmado em 2016 por 175 países, incluindo os maiores poluidores mundiais: a China e os Estados Unidos. O compromisso assinado entrou em vigor em novembro, dias antes da vitória de Donald Trump nas eleições americanas.

Durante sua campanha, Trump prometeu cancelar a participação americana no acordo, mas desde que assumiu o cargo ainda não retomou a discussão sobre esse assunto. Seus conselheiros ainda estão indecisos quanto à resolução.

"Precisamos da liderança americana", argumentou Solheim, que já foi ministro do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Internacional na Noruega, e assumiu o cargo nas Nações Unidas em 2016, em Nairóbi.

"Porém, se não contarmos com a liderança americana, contaremos com a chinesa e a da União Europeia", contou.

"A França tem grande probabilidade de eleger (Emmanuel) Macron como presidente, que é decididamente favorável à agenda climática, assim como a Alemanha", enumerou.

"A China está pronta para dar um passo à frente na liderança global, e possui a habilidade para fazer isso", destacou.

Os signatários do acordo comprometeram-se a limitar o aquecimento global a um nível bem menor que o de dois graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais, e fazer esforços para alcançar o limite de 1,5 grau.

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