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(Arquivo) A região de Puerto Montt, no Chile, no dia 7 de dezembro de 2010

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Há algumas décadas, o sul chileno revelou uma descoberta revolucionária para as teorias do povoamento americano: o sítio arqueológico Monte Verde, o assentamento humano mais antigo da América, com vestígios de 18.500 anos de antiguidade. Agora, a fundação responsável aspira a que o local seja declarado Patrimônio da Humanidade.

"Não há nenhum lugar no mundo que ofereça uma janela tão limpa para olhar o passado", disse o arqueólogo Tom Dillehay, vice-presidente da Fundação Monte Verde, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira em Santiago, durante a qual impulsou a ideia de declarar o terreno Patrimônio da Humanidade da Unesco.

Coberto por vegetação e cinzas vulcânicas, o sítio permaneceu oculto para o mundo científico até 1976, quando foi descoberto por camponeses que escavavam uma cerca e encontraram por acaso os primeiros vestígios de vida humana do continente americano, contrariando as teorias de migração até então aceitas.

Localizado na cidade de Puerto Montt, cerca de 1.200 km ao sul de Santiago, o Monte Verde compreende duas ocupações humanas em épocas diferentes, com vestígios animais e humanos que datam de entre 14.500 e 18.500 anos atrás.

Sua antiguidade provocou uma revolução no mundo científico, onde se acreditava que os grupos Clovis - no estado americano de Novo México - tinham sido a primeira cultura das Américas, que povoou de lá todo o continente através de um corredor que se abriu em meio às geleiras, cerca de 13.000 anos atrás.

Seus primeiros membros teriam chegado da Ásia através do Estreito de Bering, que nessa época tinha se tornado uma ponte natural devido à glaciação.

"O modelo dominante de povoamento da América é o da cultura Clovis, (...) onde se encontrou a associação de megafauna, como mamutes, com um projétil bifacial (um tipo de ponta de lança), o que indicava que nessa época o continente foi povoado", disse Dillehay.

No entanto, acrescenta, "Monte Verde é um dos lugares mais relevantes que desarmaram este paradigma, não só pela antiguidade mas também porque comprova que as comunidades, além de caçadoras de animais grandes, eram também coletoras de plantas e caçadoras de animais pequenos".

Ossos de mastodontes, ferramentas afiadas, algas, peles de animais e pedaços de carne perfeitamente cortados em porções foram encontrados em Monte Verde, além do que se acredita que foi um centro medicinal com mais de 28 plantas com propriedades curativas.

Os arqueólogos acreditam que os habitantes - um grupo de entre 15 e 20 pessoas - ficaram no local por pouco tempo, e que tinham cruzado o continente a partir da Sibéria, através da costa do continente americano.

"Era um assentamento efêmero, de muito movimento. Em algum momento chegou a ser ocupado por mais tempo, depois seus habitantes foram embora, não sabemos por que motivo", acrescenta o cientistas no encontro organizado pela Fundação Imagem do Chile, que promove o país no exterior.

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AFP