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Chilenos se reúnem no centro de Santiago no lugar da 'grande passeata'

Chilenos protestam nas proximidades do Palácio Presidencial de La Moneda, em Santiago, no dia 28 de outubro de 2019. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. outubro 2019 - 00:38
(AFP)

Ao menos 10 mil pessoas se concentraram pacificamente no centro de Santiago nesta terça-feira, no lugar da "grande passeata" prevista em direção ao palácio presidencial de La Moneda, cercado pela polícia.

Durante a tarde, ocorreram incidentes isolados e a polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo no turístico cerro Santa Lucía, onde manifestantes lançaram pedras contra as forças da ordem.

Um observador do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) do Chile ficou ferido por um tiro de cartucho a distância em torno do La Moneda, fortemente protegido pela polícia.

"Observador do INDH ferido por chumbo disparado contra seu corpo é levado de forma urgente para um centro de assistência a partir da (avenida) Alameda", informou o INDH no Twitter.

Em mensagem nas redes sociais, o ministro do Interior, Gonzalo Blumel, lamentou o fato e pediu à polícia "que realize as investigações correspondentes" para esclarecer a origem do disparo.

A chamada "Segunda Grande Passeata do Chile", convocada pelas redes sociais, reuniu cerca de 10 mil pessoas na Praça Itália, onde na sexta-feira se concentraram mais de um milhão de chilenos para protestar por uma sociedade mais igualitária.

"O Chile despertou!" - gritavam os manifestantes que se aproximavam do cordão policial em torno do La Moneda, enquanto a polícia de choque se protegia de pedras atiradas por alguns jovens, mas exaltados.

Após 11 dias de uma explosão social sem precedentes nos 29 anos de democracia, nenhuma medida do governo do presidente Sebastián Piñera parecia reduzir a tensão nas ruas, onde convivem um grande movimento por um país menos desigual, e outro - numericamente inferior - antissistema, mais radical e destrutivo.

Até o momento, a onda de protestos já deixou 20 mortos e mais de 9 mil detidos, desde o dia 18 de outubro, quando explodiu um movimento contra o aumento da passagem do metrô em Santiago.

Karla Rubilar, a nova porta-voz do governo, condenou os ataques esporádicos contra policiais em torno do La Moneda.

"O que estamos vendo hoje no centro de Santiago não são pessoas que querem justiça social, não são pessoas que querem um Chile melhor, é gente que quer destruição e caos".

Apesar da estabilidade econômica em um país com inflação anual entre 2 e 3%, baixo desemprego e altas taxas de crescimento, a classe média emergente está frustrada com um sistema trabalhista muito flexível, aposentadorias baixas, e saúde e educação privadas.

Uma pesquisa da Universidade Católica de Temuco revela que 94% da população está a favor das demandas sociais apresentadas nos protestos.

Em um fato inédito em um país onde a sociedade se divide marcadamente por classes, a pesquisa mostra ainda que quase dois terços dos chilenos (68%) bateram panelas na semana passada, inclusive em bairros de mais alta renda de Santiago.

Com os dados macroeconômicos especialmente positivos, o novo ministro da Fazenda, Ignacio Briones, advertiu que a economia será impactada no final do ano pela onda de protestos.

"Temos uma nova realidade" e será preciso recalibrar as previsões oficiais, que previam um crescimento de 2,5% este anos, um dos mais altos da região.

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