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O avião chinês de passageiros C919 decola do Aeroporto Internacional Pudong, em Xangai, em 5 de maio de 2017

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O C919, um avião de médio alcance construído na China para tentar disputar um mercado dominado por Airbus e Boeing, decolou pela primeira vez nesta sexta-feira, um avanço técnico que reflete as ambições aeronáuticas de Pequim.

A aeronave fabricada pela empresa pública Commercial Aircraft Corporation of China (Comac), decolou do aeroporto internacional de Xangai para um voo de teste de uma hora e meia.

O avião, branco, azul e verde, iniciou o voo às 14H00 locais (3H00 de Brasília), em meio a aplausos e gritos de milhares de pessoas que acompanharam a decolagem.

O pouso aconteceu 80 minutos depois e os cinco membros da tripulação receberam flores. O capitão Cai Jun descreveu o voo como "muito satisfatório".

"O grande projeto de aviões comerciais da China fez um grande avanço. É um marco importante do mercado de aviação da China", afirmou o Conselho Estatal da China em comunicado.

Com o C919, que pode transportar 168 passageiros em viagens de 5.550 km de distância, a Comac espera conseguir rivalizar nos voos comerciais com as duas grandes aeronaves de médio alcance: o B737 da americana Boeing e o A320 da europeia Airbus.

O regime comunista transformou a aeronave, que teve o primeiro exemplar apresentado ao público em novembro de 2015, em uma aposta de prestígio. O projeto recebeu um grande investimento de verbas estatais.

"Não ter um avião 'made in China' é estar à mercê dos outros", afirmou o presidente chinês Xi Jinping em 2014.

O objetivo de Pequim é, de fato, acabar com o duopolio da Airbus e da Boeing, que nem a canadense Bombardier nem a brasileira Embraer conseguiram abalar.

Boeing e Airbus dividem, de maneira quase igual, o vasto mercado chinês, que deve destronar até 2024 os Estados Unidos como o maior mercado mundial de transporte aéreo.

A Comac espera obter uma fatia do bolo. A empresa pública anunciou que recebeu 570 encomendas do C919 até o fim de 2016, quase exclusivamente das companhias chinesas.

A fabricante de aeronaves chinesa já construiu o ARJ-21, um pequeno avião regional. Seis anos depois de seu primeiro voo em 2008, este bimotor com espaço para entre 79 e 90 pessoas, foi certificado no fim de 2014 pelas autoridades chinesas e atualmente é comercializado.

Até o momento, no entanto, não conseguiu receber a aprovação da Administração Aeronáutica dos Estados Unidos, ficando relegado assim a voos domésticos na China.

O objetivo da certificação do C919 também se anuncia complicado. O cartão de acesso americano é indispensável para sobrevoar os Estados Unidos e é obrigatório para os aviões destinados a voos internacionais.

Para a Comac também pode ser difícil convencer os potenciais compradores fora da China, em um mercado internacional "bloqueado por Airbus e Boeing", destaca Shukor Yusof, analista na Malásia da empresa Endau Analytics.

Diante dos gigantes do setor, que já têm uma "longa história e produtos testados há muito tempo", a empresa chinesa precisa ganhar credibilidade e "isto não vai acontecer em 10 anos", disse o analista à AFP.

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