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Homens retiram destroços da frente de uma loja após os ataques aéreos à cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia.

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O reduto rebelde de Donetsk, no leste da Ucrânia, sofreu nesta quarta-feira seu primeiro ataque aéreo, e as forças governamentais, que se preparam para retomar a cidade, disseram que 18 soldados morreram em confrontos com rebeldes.

Kiev negou estar por trás do ataque, que não deixou vítimas civis, segundo as autoridades locais.

"O distrito de Kakininski sofreu durante a noite um ataque aéreo (...). Não há vítimas civis", declarou a prefeitura em um comunicado, acrescentando que uma bomba havia aberto uma cratera de quatro metros de diâmetro e 1,5 de profundidade em uma estrada.

O ataque ocorreu em uma zona industrial que aloja vários armazéns situada sete quilômetros a leste do centro de Donetsk e da sede da administração local, controlada pelos rebeldes.

Um repórter da AFP observou duas grandes crateras na estrada e outra nos trilhos de um trem a 100 metros, assim como um armazém seriamente danificado e um edifício de escritórios de três andares com todas as janelas quebradas.

Observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) inspecionavam a zona na manhã desta quarta-feira escoltados por dois rebeldes.

Trata-se do primeiro ataque aéreo sofrido por esta cidade, de um milhão de habitantes e controlada pelos rebeldes, desde o início do conflito, em meados de abril. A aviação ucraniana havia bombardeado em maio o aeroporto internacional de Donetsk, na periferia desta cidade do leste do país, em uma tentativa de recuperá-lo.

O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança e Defesa, Andry Lysenko, declarou nesta quarta-feira que os militares ucranianos não bombardearam zonas com construções.

Mas o ataque ocorreu num momento em que Kiev redobra seus esforços para recuperar a zona, e depois de ter feito avanços e apertado o cerco em torno de Donetsk nas últimas semanas.

"O cerco se fecha ao redor de Donetsk, Lugansk e Gorlivka", redutos separatistas do leste da Ucrânia, declarou à AFP nesta quarta-feira Oleksi Dimytrachkivski, porta-voz para as operações ucranianas no leste.

"As tropas se reagrupam e reforçam os cordões. Nos preparamos para libertar as cidades" controladas pelos separatistas, declarou.

Um êxodo em massa

O exército garante que praticamente isolou Donetsk da fronteira russa e do segundo reduto rebelde, Lugansk.

Mas também foi vítima de bombardeios, e nesta quarta-feira indicou que 18 soldados morreram e 54 ficaram feridos nos combates das últimas 24 horas, o número mais alto em semanas.

Três civis também morreram durante a noite em bombardeios periféricos de Donetsk, disse a prefeitura, incluindo duas mortes que já haviam sido anunciadas na noite de terça-feira.

O conflito no leste da Ucrânia, que a Cruz Vermelha já classificou de guerra civil, deixou 1300 mortos desde abril, segundo dados das Nações Unidas.

Os civis foram muito afetados, e mais de 285.000 precisaram fugir de seus lares nos últimos meses, segundo a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), que alertou sobre o risco de um êxodo maciço se os combates se intensificarem.

As autoridades locais de Lugansk disseram nesta quarta-feira que seguiam sem eletricidade, água corrente, conexões telefônicas e combustível, e que o abastecimento de alimentos estava se reduzindo.

A situação dos refugiados foi alvo de discussões na sede da ONU em Nova York na terça-feira, quando o embaixador russo, Vitali Churkin, pediu que o Conselho de Segurança tome medidas de urgência diante da deterioração da situação humanitária no leste da Ucrânia.

A representante adjunta americana, Rosemary DiCarlo, respondeu dizendo que Moscou tinha sua parcela de culpa na crise. "A Rússia pode colocar fim a tudo isso", lançou.

Reforço na fronteira

A Rússia, por sua vez, reforçou suas tropas mobilizadas na fronteira com a Ucrânia de 12.000 para 20.000 efetivos em meados de julho, indicou nesta quarta-feira a Otan, na véspera de uma visita do secretário-geral da organização a Kiev.

Segundo o ministério das Relações Exteriores ucraniano, Anders Fogh Rasmussen visitará Kiev na quinta-feira a convite do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, para discutir uma reunião iminente sobre a parceria Otan-Ucrânia.

Já a porta-voz da Otan, Oana Lengescu, disse que os recentes movimentos russos, após o endurecimento das sanções econômicas dos Estados Unidos e da União Europeia no mês passado, disparam a tensão e minam os esforços para alcançar uma solução diplomática ao conflito na Ucrânia.

"A Rússia dispõe de 20.000 efetivos prontos para o combate (na fronteira). Esta situação é perigosa", disse Lungescu.

"Compartilhamos a preocupação de que a Rússia possa recorrer à desculpa de uma missão humanitária ou de manutenção da paz para enviar tropas ao leste da Ucrânia", afirmou, acusando Moscou de seguir apoiando os separatistas pró-russos e de permitir a passagem de armas pela fronteira.

"Toda deterioração da situação humanitária nas zonas controladas pelos separatistas deve-se à persistente desestabilização russa da Ucrânia", explicou.

Lungescu reiterou que a Rússia deve abandonar este apoio e retirar "todas as suas forças militares da fronteira".

AFP