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Cientistas argentinos revelam efeitos da mudança climática em fitoplâncton antártico

Blocos de gelo em frente à base argentina Carlini na Antártica em 2017 onde foram feitas alterações no fitoplânon afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. fevereiro 2021 - 16:04
(AFP)

Cientistas argentinos revelaram que o aumento da temperatura e a diminuição da salinidade produzem alterações no fitoplâncton da Antártida, segundo um estudo realizado na base Carlini, informou nesta sexta-feira (5) a agência científica da Universidade Nacional de La Matanza.

"Com um aumento da temperatura durante sete dias, já foram geradas alterações na composição dessas comunidades", explicou a bióloga Julieta Antoni, pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científica e Técnicas da Argentina (Conicet).

"Também está descrito que as ondas de calor serão mais frequentes nos próximos anos", indicou Irene Schloss, pesquisadora do Instituto Antártico Argentino.

De acordo com o observado em experimentos realizados sob essas condições, "houve uma espécie de fitoplâncton tipicamente subantártica que cresceu muito mais que o resto, uma espécie que não havia sido registrada na Antártida antes".

O fitoplâncton marinho é composto por micro-organismos estimados em produzir entre 50% e 60% do oxigênio do planeta.

O estudo foi feito com amostras coletadas em Caletta Potter, ao norte da península, e submetidas ao aumento da temperatura e redução da salinidade.

A pesquisa também descobriu que "cresceu uma espécie de alga que é cosmopolita", disse Antoni.

"Na Antártida, além disso, pelo aumento do degelo associado a este aumento de temperatura, se despeja uma maior quantidade de água doce nessas baías marinhas com águas saladas. Então, o que nós estudamos é o que acontece com o fitoplâncton se estiverem nessas condições de altas temperaturas e baixa salinidade", explicou.

"Com a diminuição da salinidade, proliferaram espécies de algas muito pequenas, que pertencem a grupos nanoplanctônicos", disse a bióloga.

Estima-se que essas alterações impactarão "um dos consumidores principais deste fitoplâncton que é o krill, que por sua vez é consumido por uma grande variedade de animais do ecossistema antártico".

Schloss afirmou que desde 2010 são realizados experimentos para medir o impacto da mudança climática no fitoplâncton.

Na última década, esses ensaios foram realizados em 2011, 2014 e 2016 com conclusões publicadas e outro em 2020, cujo relatório ainda está em processo.

"Os valores com os quais estamos simulando esses experimentos são os que estavam previstos para serem alcançados nos próximos 50 anos, mas infelizmente a última temporada (2020) nos mostrou temperaturas da água que já estavam nesses valores tão elevados, ou seja, não é uma boa notícia para o meio ambiente", destacou.

Em fevereiro de 2020, o extremo norte da península Antártica registrou um recorde de temperatura de 18,3 graus Celsius superando os 17,5 de março de 2015.

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