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Cinco policiais são presos por morte de 68 pessoas em prisão na Venezuela

Familiares das vítimas durante funeral em Valencia, Venezuela, em 30 de março de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. março 2018 - 21:49
(AFP)

Cinco policiais foram presos por suposta responsabilidade na morte de 68 pessoas durante um incêndio em um centro de detenção da cidade de Valencia (norte), informou neste sábado o procurador-geral Tarek William Saab.

Os agentes pertencem ao Comando da Polícia do estado de Carabobo, onde ocorreu a tragédia na quarta-feira passada.

"Foram emitidas ordens de detenção contra cinco funcionários indiciados por responsabilidade nos trágicos acontecimentos que ocasionaram a morte de 68 cidadãos nas instalações da polícia regional", escreveu Saab no Twitter.

Segundo a Procuradoria, 68 pessoas morreram no incêndio no Comando da Polícia de Carabobo. Entre as vítimas, havia duas mulheres que visitavam o presídio.

Entre os detidos neste sábado está o vice-diretor da sede policial.

"O Ministério Público garantirá o esclarecimento desses trágicos acontecimentos e punirá todos os responsáveis sem distinção", garantiu o procurador-geral.

De acordo com a ONG Una Ventana a la Libertad, de defesa dos direitos dos presos, as chamas foram iniciadas por um grupo de detentos que planejavam uma fuga.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU reivindicou uma investigação "rápida e completa". Também pediu a Caracas que "conceda indenizações aos familiares das vítimas e (...) identifique e leve os responsáveis à Justiça".

O governo Maduro rejeitou as "precipitadas e desproporcionais" declarações da ONU, porque - garante - buscam estabelecer uma "posição tendenciosa sobre a Venezuela, de maneira prejudicial e sem requerer informação oficial".

"Constitui uma agressão multiforme que se desenvolve contra o nosso país, fazendo uso grosseiro e infame do tema dos direitos humanos", completa a nota.

O diretor da ONG, Carlos Nieto, culpou o governo pela tragédia, ao apontar o confinamento nesse e em outros centros de detenção. Os réus não deveriam passar mais de 48 horas nesses locais, mas, na prática, permanecem meses.

A ONG estima em 400% a superlotação nessas instalações.

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