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Colégio Eleitoral ratifica vitória de Biden nas presidenciais americanas

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o presidente eleito Joe Biden afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. dezembro 2020 - 09:23
(AFP)

O Colégio Eleitoral ratificou nesta segunda-feira (14) a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas, uma oportunidade que o democrata vai aproveitar para fazer um apelo aos americanos para "virar a página", apesar da recusa de Trump em admitir a derrota.

Sem surpresas, os grandes eleitores (delegados) reunidos nesta segunda em todos os Estados Unidos para formalizar o resultado do pleito de 3 de novembro confirmaram a vitória de Biden, que em 20 de janeiro vai assumir como o 46º presidente americano.

Esta mera formalidade adquiriu matizes incomuns este ano, devido à recusa de Trump em admitir a derrota.

Com os numerosos delegados da Califórnia, onde Biden venceu por 63% dos votos, o democrata superou com folga a cifra necessária para chegar à Casa Branca, estabelecida em 270 votos no Colégio Eleitoral.

Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, tem previsto fazer um discurso às 19h30 locais (22h30 de Brasília) em seu reduto político em Delaware para celebrar este último passo, que consagra definitivamente sua vitória e o que, segundo ele, é uma prova da "força e resiliência" da democracia americana.

"Nesta batalha pela alma dos Estados Unidos, prevaleceu a democracia (...) A integridade das nossas eleições permanece intacta", dirá Biden, em clara alusão à recusa de Trump em aceitar a derrota.

De acordo com os trechos do discurso, o democrata também fará um apelo para "virar a página", reiterando seu pedido habitual em busca pela unidade e a reconciliação.

A votação no Colégio Eleitoral, que é transmitido ao vivo por muitas redes, geralmente não passa de uma formalidade, mas com a recusa de Trump em reconhecer sua derrota, suas denúncias de irregularidades e a batalha judicial que travou em vários estados - sem sucesso - para contestar os resultados aumentaram o interesse midiático.

Nesta segunda-feira, a campanha de Trump sofreu outro revés em Wisconsin, depois que a mais alta corte do país recusou uma demanda para reverter a estreita vitória de Biden neste estado.

A própria Suprema Corte - que tem maioria conservadora graças à nomeação por Trump de três juízes - se recusou na sexta-feira até mesmo a considerar duas exigências dos republicanos.

Os resultados da eleição de 3 de novembro já foram certificados pelos 50 estados americanos, assim com pelo Distrito de Columbia.

O democrata venceu com 81,3 milhões de votos, 51,3% dos sufrágios emitidos, contra 74,2 milhões (46,8%) do republicano.

Mas nos Estados Unidos o presidente é decidido pelo sufrágio universal indireto, e cada estado dispõe de um número determinado de grandes eleitores (ou delegados) com base no tamanho de sua população.

Biden se encaminha para totalizar 316 votos frente aos 232 de Trump, dos 538 delegados do Colégio Eleitoral. Para vencer, são necessários ao menos 270.

"Espero que possam me ver sorrindo por trás da máscara", disse na Pensilvânia a democrata Nancy Patton Mills, que presidiu a votação no estado.

A maioria dos delegados é de pessoas desconhecidas do público, mas também há personalidades, como a ex-candidata presidencial Hillary Clinton, que votou em Nova York.

Hillary - que em 2016 venceu na votação popular, mas teve menos eleitores que Trump no Colégio Eleitoral -, disse no Twitter que não acredita neste sistema, mas que mesmo assim se sente orgulhosa de ter votado em Biden.

"Acho que deveríamos abolir o Colégio Eleitoral e selecionar nosso presidente segundo quem for o ganhador da votação popular", afirmou.

- Sem reconhecimento por Trump -

Embora nos últimos anos tenham sido registrados casos de "eleitores infiéis", que votaram em um candidato que não venceu em seu estado, o número nunca foi suficiente para alterar o resultado de uma eleição.

Muitos congressistas republicanos respaldam as alegações de fraude de Trump, mas alguns estariam dispostos a reconhecer a vitória de Biden após a ratificação do resultado pelo Colégio Eleitoral.

No entanto, não se espera que Trump reconheça a derrota, mas tampouco que se negue a deixar a Casa Branca. Provavelmente, vá evitar se reunir com Biden na tradicional pose juntos.

No fim de semana, ao ser questionado em uma entrevista no canal Fox News se compareceria à posse de Biden em 20 de janeiro, como exigem o protocolo e séculos de tradição, Trump se limitou a responder: "Não quero falar sobre isto".

Alguns aliados de Trump especularam sobre a possibilidade de contestar o resultado no dia 6 de janeiro, quando o Congresso validará formalmente a votação do Colégio Eleitoral.

Embora as chances de sucesso dessa iniciativa sejam praticamente nulas, este seria mais um exemplo do cenário de profunda divisão em que Biden iniciará sua presidência.

Em um sinal de mudança dos ventos, o apoio a Trump da equipe do The Wall Street Journal foi abalado e nesta segunda, em seu editorial, o jornal financeiro pediu para que ele "vire a página".

"Os recursos legais já chegaram ao fim, e ele e o resto dos republicanos podem ajudar o país e a si próprios reconhecendo os resultados e virando a página", disseram os editorialistas.

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