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(Arquivo) Prostituta na rua do centro histórico de Cartagena, na Colômbia, em 19 de abril de 2012

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Venezuelanas obrigadas a se prostituir em Cartagena, indígenas equatorianos levados ainda crianças para mendigar em Cali, colombianas exploradas sexualmente na China, ou no Chile, colombianos em trabalhos forçados na Argentina: para a ONU, a Colômbia é país de origem, trânsito e destino do tráfico de pessoas.

"O tráfico está cada vez mais concentrado na mesma região, no mesmo continente", explicou à AFP o representante na Colômbia do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (UNODC), Bo Mathiasen, ao comentar o último relatório sobre esse flagelo.

Segundo o documento, lançado em dezembro em Nova York, 63.251 vítimas de tráfico foram detectadas em 106 países entre 2012 e 2014.

A ONU vê com preocupação esse negócio ilícito "muito lucrativo", que movimenta globalmente cerca de US$ 32 bilhões ao ano, informou Mathiasen, destacando que quase um terço do total das vítimas no mundo todo é menor de idade.

Na América Central e no Caribe, o percentual de meninos e meninas vítimas desse tipo de abuso é ainda maior: atinge 62% e 64%, respectivamente, completou o representante da ONU.

Embora o estudo do UNODC identifique os grupos armados como o principal fator de risco, ao explorar meninas e mulheres sexualmente e ao forçar homens e garotos a serem combatentes, essa situação não se vê tanto na Colômbia.

Há quase meio século, esse país sul-americano é castigado por uma cruel violência fratricida.

"Há algumas associações, mas, em geral, é um crime à parte, tem suas dinâmicas próprias. A Colômbia não tem, necessariamente, mais vítimas do crime de tráfico humano por causa do conflito interno", explicou Mathiasen.

Para os especialistas, na Colômbia, a maior vulnerabilidade em relação ao tráfico acontece nas regiões de influência dos grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas e à mineração ilegal.

"O crime organizado soma o tráfico de pessoas a seu negócio", afirmou Mathiasen.

Do eixo cafeeiro à China

Na Colômbia, as zonas de alta mobilidade por fluxos migratórios internos, ou para o exterior, a desigualdade econômica e a deserção escolar aumentam a vulnerabilidade em relação ao tráfico de pessoas, disse o coordenador do Programa de Tráfico de Pessoas e Tráfico de Migrantes da UNODC no país, Carlos Andrés Pérez.

Ele citou um estudo da Universidade de La Sabana, segundo qual uma rede pode investir cerca de US$ 6 mil para levar uma colombiana do departamento de Risaralda, em pleno eixo cafeeiro, para a China. Em apenas três meses de exploração sexual, é possível ganhar pelo menos US$ 60 mil com essa prática criminosa.

Os relatórios do Escritório da ONU e os informes do Ministério do Interior da Colômbia mostram um aumento nos casos nos últimos anos, mas isso não significa exatamente que o fenômeno esteja crescendo, mas um aumento no número de notificações, advertiu o especialista.

Pérez apontou, contudo, a detecção de mais casos no país.

"Nos anos anteriores, o tráfico estava vinculado a nacionais trasladados para outros continentes, mas o fortalecimento dos controles levou a um aumento dos casos internos", relatou, acrescentando que, para cada caso documentado, estima-se que não se tenha informação sobre pelo menos outros 20.

Segundo números oficiais citados pela ONU, em 2015, foram registradas na Colômbia 73 vítimas de tráfico de pessoas - a maioria para exploração sexual, trabalho forçado, mendicidade e casamento servil. Desse total, 86% eram mulheres.

O informe identificou os departamentos de Valle del Cauca (oeste); Cundinamarca (centro), onde fica a capital da Colômbia, Bogotá; Caldas e Risaralda (centro, eixo cafeeiro); e Antioquia (noroeste), onde está Medellín, a segunda cidade mais importante do país, "como territórios frágeis para a captação de vítimas", de acordo com dados de janeiro de 2015 a junho de 2016.

Em 2015, os principais destinos de exploração dessas vítimas no exterior foram República Dominicana, China, Chile, Equador, México, Argentina, Panamá, Paraguai e Emirados Árabes Unidos.

AFP