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O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, discursa durante a cerimônia de assinatura do cessar-fogo com as Farc, em Havana, no dia 23 de junho de 2016

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As 23 áreas da Colômbia onde se concentrará a guerrilha Farc após a assinatura da paz, são áreas muito afetadas pelo conflito armado interno e onde o grupo rebelde tem uma influência histórica, informou nesta sexta-feira o governo.

Em um comunicado, o Ministério de Defesa explicou que das "33.000 veredas (a menor divisão na estrutura administrativa territorial) existentes no território colombiano, serão usadas como zonas de veredas transitórias de normalização (para os guerrilheiros das Farc) no total 23".

"Tais frações de veredas estão localizadas na jurisdição de (...) 22 municípios em 12 departamentos" e se localizam principalmente em áreas de tradicional influência guerrilheira e muito afetadas pela conflagração de mais de meio século, como Mapiripán, no departamento de Meta (centro), tristemente conhecida pelo massacre paramilitar que deixou 26 mortos em 1997.

Também constam da lista municípios como Tibú, no convulso departamento do Norte de Santander (leste), onde operam vários grupos criminosos; ou Buenos Aires, o afetado departamento de Cauca (oeste), onde morreram 11 militares em abril de 2015 em um ataque das Farc que fez desequilibrar as negociações de paz que ocorrem desde 2012 em Cuba.

Na quinta-feira (23), os negociadores do governo de Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas) anunciaram em Havana um acordo sobre o cessar-fogo definitivo e o desarme dos rebeldes.

No pacto se estabeleceu que, uma vez assinada a paz, serão 23 as zonas onde se concentração os guerrilheiros sob o monitoramento da Organização das Nações Unidas (ONU), a quem entregarão progressivamente suas armas. No entanto, na véspera não se revelaram detalhes da extensão destas áreas ou de onde exatamente estarão localizadas.

Na lista deste 22 municípios em que estarão as denominadas "zonas de veredas transitórias de normalização" também destacam três do departamento de Antioquia (Remedios, Ituango e Dabeiba); e quatro em Meta (Macarena, Meseas e Vistahermosa, além de Mapiripán).

Segundo o Ministério de Defesa, entre os critérios usados para determinar as zonas de concentração, considerou-se que estão "distantes de áreas urbanas", têm uma "extensão razoável que garante a verificabilidade" por parte da ONU, estão "distantes de áreas de fronteira" e não estão "em parques naturais" ou "áreas de cultivos ilícitos".

O deslocamento para essas zonas "tem protocolos e linhas de tempo para garantir que será feito de maneira tranquila para a população civil" e para os próprios guerrilheiros, assinalou também o comunicado.

A Colômbia vive um conflito que enfrentou durante mais de 50 anos a guerrilhas, grupos paramilitares e agentes do Estado, deixando um saldo de aproximadamente 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,9 milhões de desalojados.

AFP