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O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, visita alojamento em Cúcuta, no dia 2 de setembro de 2015, em foto cedida pela Presidência colombiana

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A Colômbia, que fracassou em sua tentativa de convocar uma reunião de chanceleres da OEA para tratar da crise com a Venezuela, convidou nesta quarta-feira diplomatas de cerca de 20 países para testemunhar a situação humanitária na fronteira comum, epicentro da tensão.

Em Cúcuta, 600 km a nordeste de Bogotá e para onde se dirigem a maioria dos colombianos expulsos nos últimos dias da Venezuela, o presidente Juan Manuel Santos realiza uma reunião do gabinete aberta a convidados especiais, como embaixadores e representantes de organismos internacionais.

"Isto não é invenção de ninguém, isto é uma realidade que o mundo deve conhecer", disse Santos ao abrir a reunião, transmitida ao vivo pela TV.

"Usaremos todos os canais para denunciar uma situação tão dramática como esta", afirmou Santos em Cúcuta, ao anunciar que seu governo apelará às Nações Unidas.

A reunião foi convocada para que o corpo diplomático possa "constatar não apenas a tragédia humanitária que estamos presenciando, mas também o trabalho que o governo nacional está fazendo".

O secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro, já anunciou que visitará a cidade de Cúcuta, no próximo sábado.

Jorge Otálora, titular da Defensoria do Povo, apresentou a situação à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) nesta quarta-feira, em Washington.

"Decidimos solicitar formalmente à CIDH medidas cautelares para que se instrua a Venezuela a não prosseguir com esta violação sistemática dos direitos humanos dos colombianos que hoje permanecem na Venezuela", disse Otálora.

Na próxima semana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reunirá com a chanceler colombiana, María Angela Holguín.

A crise bilateral teve início em 19 de agosto, quando Caracas ordenou o fechamento de vários pontos de passagem, após um ataque de desconhecidos a militares venezuelanos que realizavam uma operação anti-contrabando.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, justificou o fechamento como parte de uma ofensiva contra paramilitares colombianos financiados pelo contrabando fronteiriço e que pretendem, segundo o presidente, desestabilizar seu governo.

Desde então, cerca de 1.100 colombianos foram deportados, enquanto outros 10.000 cruzaram a fronteira por medo de serem expulsos, separados de suas famílias e perder seus pertences, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

A crise se agravou depois de ambos países chamarem para consultas seus embaixadores em 27 de agosto.

Nesta quarta-feira, o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, informou que recebeu um telefonema de Maduro, há dois dias, no qual o líder venezuelano comunicou sua disposição de se reunir com Santos para tratar da crise.

Maduro disse a Varela que "está disposto a se reunir de forma bilateral com o presidente Santos, no Equador, Panamá ou qualquer outro lugar que ambos escolherem".

AFP